Um Blog de David Ponte. Contacto: dav_russ@clix.pt.

domingo, outubro 31

Voz e Opinião «Património»

Será «Património» uma ignóbil área para parte da sociedade Portuguesa, ou mero abandono de algo por nós herdado e que teimamos não dar devida utilidade e valor?
Para além de absorvemos a sua beleza arquitectónica, um Castelo (antigo centro de poder), não representa apenas uma casa de pedra em cima do monte! É para além disso, uma importante e a mais representativa fonte de estudo da nossa História Medieval. O Património representa várias funcionalidades, por nós ignoradas, podemos dele resolver problemas sociais, como o desemprego; a utilização de licenciados no estudo e na investigação dele, resultando disso uma batalha contra a desertificação de lugares históricos, privilegiando assim o consumo nacional e internacional de turismo. País de gentes tradicionalistas que pouco se identificam com património e diversas tradições que tendem a ser esquecidas, coloca-mos sempre a Mão na algibeira quando confrontados pelo bilheteiro à porta do museu, esquecendo que para atingir um “Pontifex” são necessários meios e habilitações, e então, passamos à crítica destrutiva nunca construtiva.
Passamos indiferentes, às péssimas estratégias definidas por entidades que se dizem competentes, no recurso ao restauro do património, chapam cimento, ou colocam a retroescavadora afinal é a forma mais simples! Destruindo-se assim informações tão preciosas para a compreensão de quem realmente somos e o que fomos, teimando a deixar no desemprego, especialistas em História da Arte, Conservação e Restauro, entre outros..., afinal, entidades competentes no desempenhar da tarefa. Função de cronistas todos nós gostamos de representar, mas é necessário “solevantar”, tendemos a mostrar “cretinice”, e tão fidalgaria possuí-mos.

[David Ponte]

sábado, outubro 30

Roteiro de Fim de Semana

Este fim de semana, vejo-me na obrigação de aconselhar uma feira tradicional do "Bodo das castanhas de Vermoil", afinal é algo que faz parte de mim. Poderão deliciar-se com comida tradicional (tasquinhas), haverá também um universo variado de frutas, legumes, artesanato, muita música e alegria e tradição.
Local: Vermoil
Veja aki como lá chegar: http://www.vermoil.com/img/mapa.gif
Data: 29, 30 e 31 de Outubro de 2004

[David Ponte]

sexta-feira, outubro 29

Política - Origens

Segundo vários autores "A Política", é algo que gera conflitos, é comparada a um atroplamento, de onde surgem sempre diferentes pontos de vista sempre em conflito, raramente em coesão.
Se recorrer-mos à arquiologia da palavra, descobri-mos que Política verte-se directamente do grego “Polis”, segundo George Budeau, “Polis” era a cidade de estado, “cidade” não com sentido geográfico ou administrativo, mas como local onde se encontra uma autarquia ou um auto-governo, onde está a soberania e onde se determina o destino. A palavra Política também está directamente relacionada com vocábulos ou expressões como; Politeia, Téchê Politike, Ta Politika ou Polites.
Politeia foi uma palavra utilizada por Aristóteles, num estudo a que hoje chamaria-mos de «sistemas políticos comparados» no sentido de regime ou constituíção, ou forma política, assim dir-se-ía que Politeia designava a forma e a técnica de organização e poder da Polis.
Téchê Pilitikê defenia-se como arte política, a praxis e os princípios que a conformavam em termos actuais era a acção política num sentido de atingir dterminados fins políticos.
Ta Politika é o plural de Politikos, esta designação utilizava-se para designar as coisas políticas ou tudo o que se relacionava com a vida, estrutura, funcionamento e organização da Polis.
Assim: “No sentido Grego «Política» abrangia o elemento instituíçional e ideológico, os regimes e as constituíções, os sistemas políticos e as formas de governo (Politeia), A actividade governativa, legislativa, judicial, moderadora das técnicas de conquista, manutenção e aquisição de poder (Téchê Politikê), A cidadania e o vínculo da pessoa ao estado, a nacionalidade, os deveres e os direitos cívicos, a participação política e a representação (Polites), O cidadão o poder político a territorialidade o elemento físico do estado, a soberania, a decisão política a administração e a legaliade (Polis).”
[David Ponte]

Palavras ao Vento

"...O preceito aparece também em santarém (nº 132, Leg., II, p. 25). Foi talvez o passo para, no futuro, se distinguir entre jurisdição em matéria cível e matéria crime ou de sangue, e controlar mais estritamente a aplicação e o exercício da segunda, o que só se havia de verificar no reinado de Afonso IV. assim, por exemplo, nada parece impedir o juiz de Sever do Vouga, em 1335, de mandar enforcar os acusados de roubo..."

José Mattoso in Identificação de um País (Ensaio Sobre as Origens de Portugal 1096 - 1325), vol. I - Oposição

sábado, outubro 23

Voz e Opinião «Ensino»

Grulhada é o lema, perturbar é o tema, começaram as tradicionais manifestações estudantis contra as propinas, vai começar o arraial e este ano a PSP também quer participar!
Seis alunos necessitaram de cuidados médicos e um foi detido, é este o rescaldo dos confrontos ocorridos na passada 4º feira, quando cerca de 300 alunos tentaram forçar a entrada na reunião extraordinária do senado, a polícia passou à acção e ao jeito de um bom filme de Hollywood, respondeu ao cassetete e com gás pimenta.
Acções como: tentativas de invasão de reuniões do senado a fim de tentar evitar ou pelo menos adiar a fixação da propina anual, RGA (reunião geral de alunos), Manif’s e cadeados impedindo a entrada dos professores, alunos e funcionários na universidade, marcam ano após ano o inicio das aulas, é este o cenário encontrado pelos novos alunos que recebem este tipo de acções de sorriso nos lábios e bastantes receptivos à participação. Será este cenário favorável à educação dos novos alunos? Saem do ensino secundário por vezes em fase de adolescência, e deparam na nova etapa do seu percurso escolar, com acções revolucionárias e por vezes violentas.
Ensino público, não significa ensino grátis, esta afirmação pode parecer simples mas é bastante complexa, e de difícil compreensão para alguns membros da sociedade, o pagamento de salários, despesas de manutenção das infra-estruturas existentes, gastos em material, são apenas três exemplos de gastos necessários e precisos, para uma instituição de ensino ter as suas portas abertas e dar qualidades e condições de ensino aos alunos.Mas será o dinheiro pago em propinas todo ele gasto da melhor forma? Quero apenas deixar a questão no ar, não quero de alguma forma levantar ou alimentar polémicas, afinal tudo o que tenho a dizer sobre isso será balbuciar.
[David Ponte]

As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na
palavras mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

[Manuel Alegre]

sexta-feira, outubro 22

Ambiopia do Sr. Ministro

Daniel Sanches o Ministro da Administração Interna, deu mais uma prova da insegurança e do ambíguo deste governo, é apenas mais um Ministro que após uma primeira intervenção, demonstra total desconhecimento e falta de qualidades para exercer a tutela da pasta que lhe foi entregue. Questionado sobre a carga estudantil em Coimbra, o Ministro disse desconhecer que tivesse sido usado algum gás paralisante pelos agentes da autoridade, disse ainda: “ não houve carga policial, houve apenas uma contenção da polícia com um gradeamento à entrada dos estudantes no senado universitário” e a mais cómica afirmação: “ É a primeira vez que ouvi falar em gás, não tinha ouvido falar em tal coisa.”
[David Ponte]

Palavras ao Vento

"...Em Novembro de 1970, o padre Celio Regoli, da congregação da consolata, foi preso pela PIDE durante umas buscas à sua missão em Loureço Marques, numa operação em que participou activamente o próprio arcebispo da diocese. Capturado com uma pequena quantia de moeda Sul-Africano, o padre – acusado de “recolher dinheiro para ajudar a FRELINO e usar a língua africana nas cerimónias litúrgicas” – foi julgado e expulso do território. D. Custódio agradeceu publicamente à polícia e pediu “perdão a Deus pelo mal que o padre Regoli fez à Igreja.”..."
in "Marcas da Guerra Colonial" de Jorge Ribeiro

quinta-feira, outubro 21

Do Poder à Democracia!

Não será necessário recorrer a velhos livros e a velhas teorias, para ficar-mos a saber que em Portugal, Democracia é um termo muito recente e uma forma mais Liberal de governar.
A 5 de Outubro de 1910, ocorreu um dos mais importantes acontecimentos da nossa História, a implantação da Republica, que pôs termo a quase oito séculos de Monarquia. Assim um grupo de Republicanos, descontentes com os privilégios da nobreza assentes no nascimento e na sucessão hereditária, quiseram através do poder modernizar as precárias leis de trabalho, modernizar o sistema de ensino e também combater o anticlericalismo e a influência julgada excessiva da igreja católica. Instauraram assim uma Republica Liberal, que foi ela mesma proclamada no Município de Loures, estendendo-se depois dia após dia por todo o país. O monarca D. Manuel II viu-se obrigado a fugir de Mafra para a Ericeira, exilando-se depois no Brasil. Constituído o primeiro governo provisório, liderado por Teófilo de Braga, professor do curso de superior de Letras da Universidade de Lisboa, este novo sistema de orientação governativa apresentou logo diversas falhas, a crescente crise financeira, os sucessivos e desastrosos governos que demonstravam não só instabilidade como não conseguiam manter ordem nas ruas, leva a que a 28 de Maio de 1926 ocorra um golpe militar iniciado em braga, cujo objectivo esse, era restabelecer uma ordem social conservadora, valorizar o tão esquecido império colonial, também era necessário por fim às ofensas à igreja e aos católicos e equilibrar as finanças públicas e consequentemente fortalecer a economia. Foi o inicio de uma nova orientação política, foram 48 anos de ditadura do tipo corporativa, só interrompida a 25 de Abril de 1974, quando um grupo de militares nomeados de “Capitães de Abril”, quiseram exercer o poder, para acima de tudo terminarem com a guerra de África e proceder assim à descolonização, terminou assim uma etapa de ditadura, censura, repressão, tenta-se eliminar o capitalismo e promove-se a construção de uma sociedade socialista, surge um novo conceito na política e na sociedade “A Democracia”.
De 1974 a 1976 governa uma junta militar socialista, que em 1976 dá lugar a uma democracia Pluralista de tipo Ocidental, desde essa data os governos, sucedem-se num regime normal de “alternância democrática”, assim a luta pelo poder faz-se de igual para igual de forma racional, cada político efectua a sua estratégia para chegar ao poder, uns tentam conquistá-lo através de uma estratégia racional, outros de forma populistas, afinal a democracia é mesmo assim.
[David Ponte]

Reflexos

"Toda a sociedade que não
é esclarecida por filósofos
é enganada por charlatães"

[Condorcet (1793)]

quarta-feira, outubro 20

O Magnânimo

Nasceu em Lisboa a 22 de Outubro de 1689, foi o segundo filho de D. Pedro II, e da sua segunda mulher a rainha D. Maria Sofia Isabel de Neuburgo.
Aclamado rei de Portugal no dia 1 de Janeiro de 1707, herdou de seu pai não só o trono mas também uma guerra, a Guerra da Sucessão de Espanha, para Portugal espreitava o perigo daquele país se ligar à grande potência que era a França, no entanto com a subida ao trono Austríaco do Imperador Carlos III, pretende ao trono Espanhol, o que facilitou a paz que foi assinada em Utreque, em 1714, então Portugal viu reconhecida a sua soberania, sobre as terras amazónicas.
Com a guerra da Sucessão, D. João V, aprendeu a não dar grande apreço às questões Europeias, onde daí em diante permaneceu inalteravelmente fiel aos seus interesses Atlânticos, comerciais, aproveitando assim para reafirmar a partir daí a aliança com Inglaterra. Sabendo da importância que o Brasil demonstrava para Portugal, D. João V tratou de canalizar para lá um número considerável de emigrantes, ampliando assim o número de quadros administrativos, militares, e reformou os impostos, ampliando assim a cultura. Mesmo assim não consegue evitar a entrada de Portugal em dificuldades económicas devido ao aumento do contrabando de ouro vindo do Brasil e ás dificuldades que atravessava o Império do Oriente. Procurou assim tomar medidas, através do fomento industrial, mas logo novos problemas surgiram, problemas de ordem social: (Insubordinação de nobres, quebras de disciplina conventual, conflitos de trabalho, intensificação do ódio aos Judeus.)
Mas é a nível cultural que o seu reinado se distinge, com o manifesto do Barroco na arquitectura, mobiliário, talha, azulejo e ourivesaria, surgem nesta altura esplendidas obras de inconsiderável valor. É no seu reinado que se ilustra a edificação do aqueduto das águas livres, a fundação da academia real da História Portuguesa, e dão-se consideráveis avanços na área da medicina: com a fundação da Escola da Cirurgia e a impressão da tradução da obra, Cirurgia de Le Clerc, no campo filosófico surge Luís António Verney com a obra, Verdadeiro Método de Estudar, e no campo literário, António José da Silva. Amante da literatura reuniu com grande dispêndio uma rica livraria no seu palácio, bem com numerosos e interessantes objectos de estudo, edições muito raras, um grande número de manuscritos, instrumentos matemáticos e admiráveis relógios.
A sua excentricidade levou-o a cometer loucuras, nos últimos anos da sua vida mandou rezar para cima de 700.000 missas; por urna imagem que o papa benzeu, de prata dourada, deu 120.000 cruzados; para Jerusalém mandou 1.377 cruzados; fundou o convento do Louriçal dotando-o com 6.000 cruzados, e deu-lhe muitas alfaias e pratas; ceou dois bispados no Brasil; mandou para diferentes igrejas do estrangeiro alfaias e adornos de incalculável valor; em indulgências e canonizações enviou para Roma perto de 1,38 milhões de cruzados; na missão que foi a Roma assistir a um conclave gastou-se para cima de dois milhões de cruzados; ao núncio Bichi, quando se retirou de Lisboa, mandou dar-lhe 1.000 moedas para ajuda da viagem; ao cardeal Oddi deu-lhe uma caixa de brilhantes no valor de 20.000 cruzados, etc. Apesar da sua exagerada devoção, não tinha escrúpulo em profanar a clausura das virgens do Senhor, o que lhe adquiriu o titulo de rei freirático, transformando, por exemplo, o convento de Odivelas, sustentando escandalosamente os seus amores com a madre Paula, freira sua predilecta.
Casou a 9 de Junho de 1708, com D. Maria Ana de Áustria, do seu casamento nasceram 6 filhos, teve também 4 filhos bastardos, morreu a 31 de Julho de 1750 em Lisboa , foi sepultado no mosteiro de S Vicente de Fora, deixou o país pobre pela sua prodigalidade, mas deixou uma riqueza considerável no mundo das artes, arquitectura e literatura, é também de sublinhar o impulso tecnológico considerável. Sucedeu-o, o seu terceiro filho D. José.
[David Ponte]

Reflexos

"Assim como falham as palavras quando querem exprimir
qualquer pensamento, assim falham os pensamentos
quando querem exprimir qualquer realidade."

[Fernando Pessoa]

terça-feira, outubro 19

Batalha de Waterloo

(...)Na manhã do dia 18 de Junho de 1815, Wellington ocupava o monte St.-Jean, a sul de Waterloo, e Napoleão dominava o vale. O duque dividiu as forças em três parcelas, chefiadas por lorde Hill, pelo príncipe Guilherme de Orange e por "sir" Thomas Picton. As tropas da aliança tinham falta de infantaria e a cavalaria era pouco experiente, mas Wellington depositava grandes esperanças na artelharia(...)
queres saber mais http://www.bbc.co.uk/history/war/waterloo/waterloo.shtml

in livro Grandes Batalhas da História Mundial [Waterloo 1815]

Reflexos

(...) Por isso a Índia há-de acabar em fumo
Nesses doirados paços de Lisboa;
Por isso a pátria há-de perder o rumo
Das muralhas de Goa.

Miguel Torga in Livro (Poemas Ibéricos)

domingo, outubro 17

Decomposição do Bloco Vermelho

Na Maré do Povo... A Vitória, foi o slogan do primeiro cartaz do Partido Comunista Português, a 11 de Agosto de 1974, 30 anos volvidos o partido comunista luta para não se afundar na maré.
  1. Partido que se serviu de palavras como liberdade, luta, democracia para no seio do povo atingir uma maturidade, maturidade essa nunca estável , talvez pelas suas ideologias rudimentares, ou pelo medo daquilo que se passou a leste, o PCP nunca conseguiu ser um partido jovem e saudável. Com a perda do seu líder, Carlos Carvalhas cuja imagem já apresentava um desgaste pela sua persistente balbúcie, chegou a hora de importantes decisões, a escolha do novo sucessor será mais do que nunca, a escolha do futuro, de um partido que luta contra a extinção.
  2. Independentemente da precisão cirúrgica da escolha do novo Secretário Geral, o PCP neste momento depende de dois grupos internos distintos; Os Conservadores e Os Reformadores, mas ambas as hipóteses conduzem ao precipício.

Então surge-nos a primeira hipótese a escolha de um líder Conservador, alguém fiel às velhas raízes do partido, então nada será diferente o PCP continuará em perda, perda essa significativa, ou não se tenha já visto que em todos os actos eleitorais o PCP está em perda de peso eleitoral, teremos então um PCP doente, inofensivo e reduzido a um núcleo central de resistentes.
A segunda hipótese essa prende-se com a escolha de um Reformador, alguém mais liberal, que o seu principal objectivo é o de reformar o PCP, as consequências essas, serão a rápida mas menos dolorosa morte do velho PCP, porque com novas ideologias, nova cara, não faz qualquer sentido continuar-se com o nome PCP.

O futuro esse, tudo nos dirá!

[David Ponte]

Fernando Pessoa

"Eu fingi que estudei engenharia.
Vivi na Escócia. Visitei a Irlanda.
Meu coração é uma avozinha que anda
Pedindo esmolas às portas da alegria.
À dolorosa luz das lâmpadas elétricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Meu mestre, meu coração não aprendeu a tua serenidade.
Meu coração não aprendeu nada.
(...)
A calma que tinhas, deste-ma, e foi-me inquietação."

in Opiário [Álvaro de Campos (1890 - 1935?)]

Lisboa Menina e Moça

No castelo ponho o cotovelo
Em Alfama descanso o olhar
E assim desfaço o novelo
De azul e mar
À Ribeira encosto a cabeça
A almofada da cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia de um beijo
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que os meus olhos vêem, tão pura
Teus seios sãos as colinas, varina
Pregão que me traz à porta ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça e amada
Cidade amor da minha vida
No Terreiro eu passo por ti
Mas na Graça eu vejo-te nua
Quando um pombo te olha sorri
És mulher da rua
E no bairro mais alto do sonho
Ponho o fado que soube inventar
A aguardente de vida e medronho
Que me faz cantar
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que os meus olhos vêem, tão pura
Teus seios sãos as colinas, varina
Pregão que me traz à porta ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça e amada
Cidade mulher da minha vida
Lisboa do amor deitada
Cidade por minhas mãos despida
Lisboa menina e moça e amada
Cidade mulher da minha vida

[Carlos do Carmo]

sexta-feira, outubro 15

Mensagem ao Leitor

Querido leitor!
Sem vocês este espaço era amplamente escuro, por isso juntos tentamos torná-lo numa alternativa sempre agradável. Quero então apresentar-vos o meu novo artigo, "Palavras ao Vento" que de ora em diante, será todas as sextas feiras publicado, artigo este dedicado à leitura e ao leitor.
Obrigado..!
Respeitosamente
David Ponte

Palavras ao Vento

“...assim falando, partiu Atena, a deusa de olhos garços,
em direcção ao Olimpo, onde dizem ficar a morada eterna
dos deuses: não é abalada pelos ventos, nem molhada
pela chuva, nem sobre ela cai a neve. Mas o ar estende-se
límpido, sem nuvens; por cima paira uma luminosa brancura.Aí se aprazem os deuses bem-aventurados, dia após dia....”

in Odisseia (Homero)

Mensagem a Sócrates

“.....Mas todos nós sabemos também que a luta pelo poder não existe só por razões passionais ou lúdicas. O poder não se procura nem se obtém apenas para o possuir ou para dele tirar satisfação pessoal: ambiciona-se e conquista-se o poder para exercê-lo, isto é, para governar – executando certos programas ou projectos, pondo em prática determinadas ideias fazendo respeitar dados e valores, defendendo certos interesses.....”


in História das Ideias Políticas de Diogo Freitas do Amaral (vol. I)

quinta-feira, outubro 14

Tarde de Taberna

O cheiro a lixívia tornava o ar pesado e confuso, a grulhada era intensa, o chão apresentava uma pequena camada de serradura, sobre o balcão estavam pendurados presuntos e alguns tipos de fumados, entre trofeus de sueca e emblemas do benfica, misturavam-se algumas bebidas e diversos calendários de à muitos anos já ultrapassados, afinal a única utilidade era sim exibir ao retrato que não preciso mais de pormenorizar. Instalado numa mesa estava um respeitado idoso que tratavam por Sr. António que ceava abusivamente pedaços salteados ora de queijo ora de pêra que de seguida regava com o tão indispensável copo de vinho, ao balcão três indivíduos de média idade regateavam e satisfaziam os estômago com pedaços de presunto que acompanhavam tão satisfatoriamente com uma cerveja, balbuciavam sobre ora essa... futebol, sobre uma cadeira gracejava um tipo de média idade com aspecto poluído, repugnava mais uma cerveja, o taberneiro de camisa imune, recusava e apontava o seu elevado estado de embriaguez.
Ora esta! será este o típico Portugal Português?
[David Ponte]

Disintegration

Oh I miss the kiss of treachery
The shameless kiss of vanity
The soft and the black and the velvety up tight against the side of me
And mouth and eyes and heart all bleed
And run in thickening streams of greed
As bit by bit it starts the need to just let go my party piece
Oh I miss the kiss of treachery
The aching kiss before I feed
The stench of a love for a younger meat
And the sound that it makes when it cuts in deep the holding up
On bended knees the addiction of duplicities
As bit by bit it starts the need to just let go my party piece
But I never said I would stay to the end
So I leave you with babies and hoping for frequency screaming like this
In the hope of the secrecy screaming me over and over and over
I leave you with photographs pictures of trickery
Stains on the carpet and stains on the scenery
Songs about happiness murmured in dreams
When we both us knew how the ending would be...
So it's all come back round to breaking apart again
Breaking apart like I'm made up of glass again
Making it up behind my back again
Holding my breath for the fear of sleep again
Holding it up behind my head again
Cut in deep to the heart of the bone again
Round and round and round
And it's coming apart again over and over and over
Now that I know that I'm breaking to pieces
I'll pull out my heart and
I'll feed it to anyone
Crying for sympathy crocodiles
Cry for the love of the crowd
And the three cheers from everyone
Dropping through sky through the glass of the roof
Through the roof of your mouth
Through the mouth of your eye
Through the eye of the needle
It's easier for me to get closer to heaven T
han ever feel whole again
I never said I would stay to the end I knew I would leave you with babies and everything
Screaming like this in the hole of sincerity
Screaming me over and over and over
I leave you with photographs pictures of trickery
Stains on the carpet and stains on the memory
Songs about happiness murmured in dreams
When we both of us knew how the end always is... How the end always is...

the cure

Touch Me

C'mon, c'mon, c'mon, c'mon now
Touch me, babe
Can't you see that I am not afraid?
What was that promise that you made?
Why won't you tell me what she said?
What was that promise that she made?
Now, I'm gonna love you
Till the heavens stop the rain
I'm gonna love you
Till the stars fall from the sky For you and I
C'mon, c'mon, c'mon, c'mon now
Now touch me, baby
Can't you see that I am not afraid?
What was that promise that you made?
Why won't you tell me what she said?
What was that promise that she made?
I'm gonna love you
Till the heavens stop the rain
I'm gonna love you
Till the stars fall from the sky for you and I I'm gonna love you
Till the heavens stop the rain
I'm gonna love you
Till the stars fall from the sky For you and I

the doors

terça-feira, outubro 12

The End

This is the end, beautiful friend
This is the end, my only friend
The end of our elaborate plans
The end of everything that stands
The endNo safety or surprise
The endI'll never look into your eyes again
Can you picture what will be
So limitless and free
Desperately in need of some stranger's handIn a desperate land
Lost in a Roman wilderness of pain
And all the children are insane
All the children are insane
Waiting for the summer rain
There's danger on the edge of town
Ride the King's highway
Weird scenes inside the gold mine
Ride the highway West, baby
Ride the snake
Ride the snake
To the lake
To the lake
The ancient lake, baby
The snake is long
Seven miles
Ride the snake
He's oldAnd his skin is cold
The West is the best
The West is the best
Get here and we'll do the rest
The blue bus is calling us
The blue bus is calling us
Driver, where are you taking us?
The killer awoke before dawn
He put his boots on
He took a face from the ancient gallery
And he walked on down the hall
He went into the room where his sister lived
And then he paid a visit to his brother
And then he walked on down the hall
And he came to a doorAnd he looked inside
FatherYes son? I want to kill youMother, I want to. . .
C'mon baby, take a chance with us
C'mon baby, take a chance with us
C'mon baby, take a chance with us
And meet me at the back of the blue bus This is the end, beautiful friend
This is the end, my only friend
The endIt hurts to set you free
But you'll never follow me
The end of laughter and soft lies
The end of nights we tried to die
This is the end

the doors

Audrey Hepburn


Photo: Antony Beauchamp