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quarta-feira, outubro 20

O Magnânimo

Nasceu em Lisboa a 22 de Outubro de 1689, foi o segundo filho de D. Pedro II, e da sua segunda mulher a rainha D. Maria Sofia Isabel de Neuburgo.
Aclamado rei de Portugal no dia 1 de Janeiro de 1707, herdou de seu pai não só o trono mas também uma guerra, a Guerra da Sucessão de Espanha, para Portugal espreitava o perigo daquele país se ligar à grande potência que era a França, no entanto com a subida ao trono Austríaco do Imperador Carlos III, pretende ao trono Espanhol, o que facilitou a paz que foi assinada em Utreque, em 1714, então Portugal viu reconhecida a sua soberania, sobre as terras amazónicas.
Com a guerra da Sucessão, D. João V, aprendeu a não dar grande apreço às questões Europeias, onde daí em diante permaneceu inalteravelmente fiel aos seus interesses Atlânticos, comerciais, aproveitando assim para reafirmar a partir daí a aliança com Inglaterra. Sabendo da importância que o Brasil demonstrava para Portugal, D. João V tratou de canalizar para lá um número considerável de emigrantes, ampliando assim o número de quadros administrativos, militares, e reformou os impostos, ampliando assim a cultura. Mesmo assim não consegue evitar a entrada de Portugal em dificuldades económicas devido ao aumento do contrabando de ouro vindo do Brasil e ás dificuldades que atravessava o Império do Oriente. Procurou assim tomar medidas, através do fomento industrial, mas logo novos problemas surgiram, problemas de ordem social: (Insubordinação de nobres, quebras de disciplina conventual, conflitos de trabalho, intensificação do ódio aos Judeus.)
Mas é a nível cultural que o seu reinado se distinge, com o manifesto do Barroco na arquitectura, mobiliário, talha, azulejo e ourivesaria, surgem nesta altura esplendidas obras de inconsiderável valor. É no seu reinado que se ilustra a edificação do aqueduto das águas livres, a fundação da academia real da História Portuguesa, e dão-se consideráveis avanços na área da medicina: com a fundação da Escola da Cirurgia e a impressão da tradução da obra, Cirurgia de Le Clerc, no campo filosófico surge Luís António Verney com a obra, Verdadeiro Método de Estudar, e no campo literário, António José da Silva. Amante da literatura reuniu com grande dispêndio uma rica livraria no seu palácio, bem com numerosos e interessantes objectos de estudo, edições muito raras, um grande número de manuscritos, instrumentos matemáticos e admiráveis relógios.
A sua excentricidade levou-o a cometer loucuras, nos últimos anos da sua vida mandou rezar para cima de 700.000 missas; por urna imagem que o papa benzeu, de prata dourada, deu 120.000 cruzados; para Jerusalém mandou 1.377 cruzados; fundou o convento do Louriçal dotando-o com 6.000 cruzados, e deu-lhe muitas alfaias e pratas; ceou dois bispados no Brasil; mandou para diferentes igrejas do estrangeiro alfaias e adornos de incalculável valor; em indulgências e canonizações enviou para Roma perto de 1,38 milhões de cruzados; na missão que foi a Roma assistir a um conclave gastou-se para cima de dois milhões de cruzados; ao núncio Bichi, quando se retirou de Lisboa, mandou dar-lhe 1.000 moedas para ajuda da viagem; ao cardeal Oddi deu-lhe uma caixa de brilhantes no valor de 20.000 cruzados, etc. Apesar da sua exagerada devoção, não tinha escrúpulo em profanar a clausura das virgens do Senhor, o que lhe adquiriu o titulo de rei freirático, transformando, por exemplo, o convento de Odivelas, sustentando escandalosamente os seus amores com a madre Paula, freira sua predilecta.
Casou a 9 de Junho de 1708, com D. Maria Ana de Áustria, do seu casamento nasceram 6 filhos, teve também 4 filhos bastardos, morreu a 31 de Julho de 1750 em Lisboa , foi sepultado no mosteiro de S Vicente de Fora, deixou o país pobre pela sua prodigalidade, mas deixou uma riqueza considerável no mundo das artes, arquitectura e literatura, é também de sublinhar o impulso tecnológico considerável. Sucedeu-o, o seu terceiro filho D. José.
[David Ponte]