Um Blog de David Ponte. Contacto: dav_russ@clix.pt.

domingo, novembro 28

E Alegre se Fez Triste

Aquela clara madrugada que
viu lágrimas correrem no teu rosto
e alegre se fez triste como se
chovesse de repente em pleno agosto.

Ela só viu meus dedos nos teus dedos
meu nome no teu nome. E demorados
viu nossos olhos juntos nos segredos
que em silêncio dissemos separados.

A clara madrugada em que parti.
Só ela viu teu rosto olhando a estrada
por onde um automóvel se afastava.

E viu que a pátria estava toda em ti.
E ouviu dizer-me adeus: essa palavra
que fez tão triste a clara madrugada.


[Manuel Alegre]

sábado, novembro 27

Prosternáre

“VIVA O MARXISMO-LENINISMO”, findou assim o texto escrito pelo emblemático do partido, Álvaro Cunhal, foi o apogeu e o encerramento do primeiro dia de congresso do PCP, os participantes gritaram e aplaudiram vigorosamente.
Nem tudo é motivo de felicidade neste partido, o manto negro persiste em ocultar o horizonte, um horizonte que me parece negro e carregado. Carlos Carvalhas tem já um homogéneo substituto, Jerónimo de Sousa, o seu programa permanece bastante discreto, mas é um conservador e continuará com certeza homorfo às raízes do partido, no PCP jamais algum secretário geral terá um papel dinâmico.
Tal como Carlos Carvalhas o foi, Jerónimo de Sousa o será, “orador”, escolhido por um órgão do partido para divulgar o que já à muito foi definido. As sementes deste PCP à muito foram lançadas à terra, e à muito que a colheita foi executada, quem ousar lançar novas sementes, sofrerá consequências, sem sementes novas, não há colheita, sem colheita não há alimento, torna-se então critico o processo de sobrevivência. O PCP é um partido moldado por métodos rudimentares, vê num comité central e autoritário uma mais valia à sua sobrevivência, pois remete ele mesmo para bem longe da liderança, “Os renovadores”, que são uma ameaça aos pilares do partido. O PCP encontra-se como num cerco do tipo, “época medieval”, cuja ocupação de pontos estratégicos pelo inimigo, resultavam no enfraquecimento das populações cercadas, era impossível a entrada de armas e alimentos, a causa disto era o surgimento da fome, e as consequentes doenças (pestes), que eram a conduta directa para à morte destas populações, por isso, só e envelhecido o PCP demonstra-se já afectado pela doença, que o deteriora, alguns militantes já vêem o BE a desempenhar a função de leucócito.Como disse Branca de Carvalho: “[O congresso do PCP] vai ser uma missa. A mesma missa que já ouvimos antes.”, dessa missa concluo eu; vai dela ser eleito um Papa, Papa esse já previamente “amputado”.
[David Ponte]

sexta-feira, novembro 26

Triumphante!

Apreço as minhas considerações a: uma personalidade de inesgotável força e valor.



Fernando Valle <1900-2004>

Palavras ao Vento

(...) A construção da comunidade atlântica durante e logo após a Segunda Guerra Mundial marcou, profundamente, a política europeia e mundial da segunda metade do século XX. Em termos institucionais, esta comunidade apoia-se na Aliança Atlântica1 e na União Europeia (UE). Após a II Guerra Mundia, os europeus foram obrigados a reconstruir, politicamente, a Europa.2 Os países europeus tiveram de lídar, em particular, com dois problemas. Em primeiro lugar, após as duas grandes «guerras civis» europeias, era imperioso pôr termo ao «problema nacionalista» e construir uma «paz liberal». Por outro lado, o início da guerra fria obrigava os europeus a defenderem-se da ameaça soviética.(...)

1 No texto usaremos igualmente o termo NATO
2 A análise que se segue apoia-se em João marques de Almeida, «A Europa Kantiana não Sobrevive ao Fim da Aliança Atlântica», Nova Cidadania (IV, 16, Abril/Junho 2003).

In «A Encruzilhada» (Portugal, a Europa e os Estados Unidos) de João Marques de Almeida e Vasco Rato.

quinta-feira, novembro 25

Reflexão

A vida por vezes revela-nos segredos e momentos de inesperada felicidade, para isso basta aprender-mos a falar com a alma, assim ela revela-nos a forma mais simples de atingir-mos os nossos objectivos, mas não basta! Temos de ser entendedores, saber falar e ouvir os "outros", para tomar decisões acertadas, pois só préviamente bem estruturadas e discutidas as acções atingem a eficácia desejada, assim atingi-mos uma imagem forte, consistênte e sobretudo, somos um bom exemplo de coerência e racionalismo. Em tudo há um fim, e o que procuramos ao longo dum projecto ou de uma vida, é no fim os agradecimentos sejam meros aplausos, que por vezes podem ser empregues apenas por "uma boa educação", o que realmente nos leva a sentir realizados é em hunanimidade termos renovação de um voto de confiança, e nos seja entregue o comando de um novo projecto.
[David Ponte]

quarta-feira, novembro 24

Ensino

Diz-nos uma média da OCDE divulgada no sábado, que os nossos alunos são os que mais tempo passam a fazer trabalhos de casa. Talvez seja esta uma causa directa, da insuficiente forma de ensino dos nossos docentes, que utilizam o TPC como a forma mais eficaz de culmatar a sua incoerência na leccionação dos programas escolares.

terça-feira, novembro 23

Quadras

É fácil a qualquer cão
Tirar cordeiros da relva.
Tirar a presa ao leão
É difícil nesta selva.

Eu não tenho vistas largas,
Nem grande sabedoria,
Mas dão-me as horas amargas
Lições de Filosofia.

Há luta por mil doutrinas.
Se querem que o mundo ande,
Façam das mil pequeninas
Uma só doutrina grande.

Quando os Homens se convençam
Que à força nada se faz,
Serão felizes os que pensam
Num mundo de amor e paz.

A arte em nós se revela
Sempre de forma diferente:
Cai no papel ou na tela
Conforme o artista sente.

Quem prende a água que corre
É por si próprio enganado;
O ribeirinho não morre,
Vai correr por outro lado.

Embora os meus olhos sejam
Os mais pequenos do mundo,
O que importa é que eles vejam
O que os Homens são no fundo.

Julgando um dever cumprir,
Sem descer no meu critério,
- Digo verdades a rir
Aos que me mentem a sério!

[António Aleixo]

domingo, novembro 21

Lugar dos Deuses

Rosas, Alecrins, Jasmim,
imagino um corpo,
volvido em cetim.

Caminho pelo céu,
levanto um véu,
que envolve um rosto,
pálido, penetrante e sereno,
os lábios esboçam um doce sorriso,

Sinto amor, paixão,
bate depressa o coração,
é o sentimento,é o fruto da imaginação.

[David Ponte]

Reflexos

Sinto um horrível arrepio, uma ligeira confusão envolve a minha alma, as ideias tornam-se dolorosamente incertas e sem coerência, ergo a cabeça na esperança de encarar a realidade, a dor torna-se insuportável, a cegueira toma conta de mim, percorro metros, tento escapar ao destino, fujo Quilómetros... Renasço, Um leve clarão toma conta dos meus olhos, que vertem lágrimas, foi um pesadelo, tento relaxar, felizmente desta vez foi apenas imaginação.

sábado, novembro 20

"O Renascer", é Belo!

Setenta e cinco anos depois, renasceu, O MoMa (Museum of Modern Art), das mãos do Arquitecto Japonês Yoshio Taniguchi nasceu um ambicioso projecto, e fez-se a obra, certamente o marco de optimismo na Nova Iorque pós – 11 de Setembro.



"A Persistência da Memória", [Salvador Dalì] é uma das obras, fundamentais do museu.

[David Ponte]

Traços



Landscape: Parc Monceau, Paris by [Claude Monet]

"Luto" da Democracia

Todavia, observamos uma democracia desfalecida, ferida pelas garras do autoritarismo, a agravante instabilidade governativa , vem só ela própria perturbar a sociedade e promover o declínio económico, tudo isto causa directa da nova política, “o populismo”, tão forte e eficaz na vitória do acto eleitoral, e tão próspero em ignorância, ineficácia.É o tempo da política feia, feita por bonitos, o cultivar da imagem, o transparecer dela o rosto do país, atrás do belo urge a ignorância, transborda o autoritarismo. Num ponto de vista pessoal mas racional, a problemática desta política provém da constante valorização e a crescente consistência das juventudes partidárias, elas que veneram "o populismo”, ignorando a boa política, aquela que os feios fazem, e que está condenada a morrer com a velha vanguarda.
[David Ponte]

Do povo, o que é do povo!

A vitória da ala conservadora do partido é quase certa, Jerónimo de Sousa é o nome proposto para liderar o PCP, sem mudanças estruturais nas bases do partido, temos uma certeza, o partido escolhe uma penosa e longa doença, evitando a rápida, mas nobre morte.
[David Ponte]

sexta-feira, novembro 19

Ganhão

Minha junta vai puxando
Morosa, lenta, cansada;
Que a leiva que vai virando,
vai ficando bem virada

Passam dois corvos grasnando.
E. à minha volta mais nada ...

[Francisco Bugalho]

Palavras ao Vento

(...) Ora as culturas variam e sociedade diferentes requerem tipos diferentes de governo. Não se trata, portanto, de defender a generalização de um modelo único de governo, mas antes de uma concepção modelar da democracia genuína é um sistema frágil que balança não apenas entre estas duas forças mas também entre outras - aquilo que Tocqueville chamou os «corpos intermédios» - para criar, no final, um magnífico mecanismo de reloeiro. Perceber este sistema requer um certo trabalho intelectual de recuperar a tradição liberal, central à experiência ocidental e ao desenvolvimento de todo o bom governo através do mundo. (...)
in ["O Futuro da Liberdade", a democracia iliberal nos Estados Unidos de Fareed Zakaria]

domingo, novembro 14

A Noite Rimada

Pela serra ao luar
ia um menino sozinho
sem sono pra se deitar.

Ia o menino a pensar
porque seria ele só
sem sono pra se deitar.

Ia o menino a pensar
que há tanto por pensar
e a cidade a descansar.

Ia o menino a pensar
porque seria ele só
sem sono pra se deitar.

Quem dorme sem ter pensado
deve ter sono emprestado
não é sono bem ganhado.

Ia o menino a pensar
como poder arranjar
muita força pra pensar.

Ia o menino a arranjar
muita força pra pensar
o próprio sonho ganhar

[José de Almada Negreiros]

Traços



[Mirò]

sábado, novembro 13

O poder Populista

  • Dias escaldantes para o PSD (Partido Social Democrata), as sondagens apontam resultados quase congelantes, o rumo esse está descarrilado. O congresso de Barcelos, promete pouca discussão, luta e discordância, pois a falta de comparência dos membros da ala dura da oposição Santanista; (Manuela Ferreira Leite e Pacheco Pereira,) vem serenar, aquilo que poderia ser um congresso explosivo, apenas Marques Mendes já confirmou a sua presença, (mas só), já admitiu uma presença não para constituir um grupo contra, mas sim para colaborar, Marcelo esse permanece omitido, apenas pagou a sua inscrição, ainda não admitiu a sua presença, deixa em aberto alternativas; que na eventualidade de acontecer a sua aparição, será como um explosivo lançado num mar de chamas incontrolado.

  • Nem todos os participantes deste congresso, acreditam que Santana Lopes será um líder profundamente empenhado na reordenação partidária frágil e ineficaz patente neste momento. É tempo de assumir estratégias, Alberto João Jardim ao seu bom modo, volta a demonstrar-se irreverente, não concorda com uma coligação pré-eleitoral de direita, mas se o PSD não conseguir uma maioria deve sim faze-lo com o partido, centro de esquerda o Partido Socialista, de forma a conseguir assegurar cerca de dois terços da Assembleia da República, admite assim, uma desconfiança nos resultados do próximo acto eleitoral pondo em causa a estratégia definida por Santana, bem como, apresenta uma estratégia profundamente malquista.

  • O populista soube no devido momento calar Marcelo Revelo de Sousa, não fosse esta a melhor altura de o eliminar, não fossem os seus polémicos comentários de domingo, armas contra a política do governo Santanista. Bastaram apenas dois anos para que todos se esqueçam do autoritarismo governativo no caso Marcelo. Será seta que Santana nos vai espantar e vai concluir um projecto, contrariando assim a o seu hábito de “repudiar a meio”, e na recta final ao seu bom jeito de “hypnotós” será capaz de suplantar Sócrates que mantém oculta toda a sua estratégia e todo o seu plano político?


[David Ponte]

O Sonho

Pelo Sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos,
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e do que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

- Partimos. Vamos. Somos

[Sebastião da Gama]

Traços



[Sandro Botticcelli]

sexta-feira, novembro 12

Palavras ao Vento

"(...) A falhada revolta de Janeiro de 1808, mero golpe de mão de amadores inconscientes, poupou ao Directório o trabalho de definir uma estratégia insurreccional. Mas, em compensação, tornou os impossível reconduzir o partido ao antigo legalismo e, portanto, desde logo lançou numa longa e ácida querela sobre a natureza e dividiu. Pior do que isso, a passagem para a ilegalidade conspirativa, em 1908, de largos sectores do PRP temporariamente deslocou o centro de poder interno dos notáveis» da «classe média» para os «humildes» que os ouviam nos comícios e disciplinadamente por eles vinham morrer na rua. Com infinito espanto, os «grandes vultos» do partido descobriram que o «bom povo» sabia o que queria.(...)"

in "O Poder e o Povo" de (Vasco Pulido Valente)

"«Inofensivos grémios» de «criaturas simples», «homens ingénuos» e «sonhadores românticos»: o movimentos revolucionário (1908 - 10)"

" Não serão por isso os republicanos que hão-de precipitar a revolução. O que pode torná-la iminente é a coacção reaccionária. Desgraçadamente, assim como, por nossa vontade, a não faríamos, assim também não é só à nossa vontade que ela se fará."
[Bernardino Machado, O Mundo, 17-1-1909]


"Devemos amar a revolução: não esperar que nos empurrem mas irmos conscientemente procurá-la."
[Afonso Costa, O Mundo, 25-1-1909]


"Os homens das associações secretas... aceitam para a sua acção patriótica os moldes de uma conspiração teórica e sentimental."
[António José D'Almeida, Alma Nacional, 29-9-1910, 540]

Excerto retirado do livro (O Poder e o Povo - Vasco Pulido Valente)

Guerreiro solitário.

E assim sucumbiu, Yasser Arafat. O líder que durante trinta anos fez derramar sangue, depois, foram vinte anos de imolação, à causa que sempre defendeu.



[David Ponte]

quinta-feira, novembro 11

Onde só os bons tem lugar!

Prazer, amor, amizade, coisas fáceis e cor de rosa, corremos; estações, estradas, rotas, rumos, incansávelmente, para lá chegar, é desnecessário! Desistimos da ilusão, pois só disto se trata uma grande ilusão, O mundo dos bons, onde só os bons tem lugar!
[David Ponte]

As minhas desculpas!

O seguinte texto, pode de certa forma tornar-se ignóbil, desde já as minhas desculpas, foi fruto consequente de uma odisseia de oito horas no país das maravilhas.
[David Ponte]

Em Busca do Paraíso Perdido!

O meu primeiro raciocínio do dia de hoje, baseou-se com o desemprego em Portugal, ao qual cheguei a uma rápida, rudimentar mas pertinente conclusão, que em fluente linguagem se reduz;

  1. Pensava a mentalidade antiga, que independentemente das dificuldades dos tempos, e onde a fome era um factor sempre presente, mandava a necessidade de constituir largas famílias, (chegou-se hoje à conclusão que não só acontecia por falta de existência de métodos contraceptivos, ou falta de ocupações e entretimento, mas o principal factor era a necessidade de criar o maior número de mão de obra, porque falamos de populações que vivem no campo, onde a agricultura de subsistência era uma forma de sobrevivência. Com o evoluir da mentalidade o alargar dos horizontes a vida canalizou-se toda ela para locais urbanos, então com o alto nível da taxa de natalidade e o crescente número de população activa, a população foi-se, ela mesma adaptando às necessidades da época, criando assim novos postos de trabalho e novas formas de economia, surgiram as fábricas grandes entidades empregadoras, a mão de obra especializada (pedreiros, sapateiros, carpinteiros) estava também em onda crescente, sabendo que, poucas eram as pessoas que arriscavam o mundo académico, pois era muito dispendioso, e pouco aliciante. Era escassa a diversidade de ramos de actividade, os serviços eram poucos ou quase nulos, oferecendo poucos postos de emprego.
  2. Hoje o desemprego é um problema que afecta a sociedade, as profundas mudanças de mentalidade são bem visíveis, a fraca taxa de natalidade, origina o envelhecimento da população, e a consequente diminuição da população activa, hoje a indústria tem vindo a sofrer alterações profundas, com os avanços tecnológicos, e com a necessidade de produção em massa, segue-se a teoria: (fazer bem e depressa, reduzindo os custos em mão de obra) a maquinaria é já parte integrante da nova indústria, agora substituiu-se o largo número de operários por uma máquina, apenas é necessário um ou dois técnicos especializados para manobrarem e assegurarem, a manutenção da mesma. Mas a variedade de ramos de actividade é cada vez maior, os serviços necessitam cada vez mais de profissionais, mas a mão de obra especializada é cada vez mais diminuta, correndo mesmo riscos de extinção.
  3. Será que existe falta de emprego? O problema não é a falta de desemprego, porque em tempos ultrapassados havia muita população activa, e muitos postos de trabalho, nesta época não se falavam de problemas como o desemprego, hoje vivemos um cenário onde, a população activa está cada vez mais diminuta e a variedade e os postos de trabalho são cada vez mais elevados, existe muito emprego, mas o desemprego é cada vez maior, isto só pode ter mesmo uma explicação; O problema desemprego, prende-se com, a possibilidade de hoje se poder ganhar dinheiro sem trabalhar. A mendicidade aumentou, sendo ela já feita por jovens saudáveis, que tem pavor ao trabalho, mas é na criação de subsídios que o estado atinge o papel de “causador” deste problema, “desemprego”, o fundo social, o rendimento mínimo garantido, entre outros apoios do estado, garantem às pessoas a possibilidade de viverem sem preocupações, sendo financiadas pelo estado.

[David Ponte]

quarta-feira, novembro 10

Noturno

Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...

Como um canto longínquo - triste e lento-
Que voga e sutilmente se insinua,
Sobre o meu coração que tumultua,
Tu vestes pouco a pouco o esquecimento...

A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando. entre visões, o eterno Bem.

E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Gênio da Noite, e mais ninguém!

[Antero de Quental]

Traços



by Picasso

terça-feira, novembro 9

Dobre

Peguei no meu coração
E pu-lo na minha mão

Olhei-o como quem olha
Grãos de areia ou uma folha.

Olhei-o pávido e absorto
Como quem sabe estar morto;

Com a alma só comovida
Do sonho e pouco da vida.

[Fernando Pessoa, 1913]

domingo, novembro 7

Guerra sem fim!

Enquanto pelo mundo se fala em luta pelo terrorismo, a França volta a curvar-se e recebe de braços abertos, “Um terrorista”, adiando mesmo dia após dia a sua morte.
Yasser Arafat, (Presidente do Comité Executivo da Organização de Libertação da Palestina), pode hoje fazer parecer-se um mártir que por chefiar a luta pela libertação do seu povo, foi cercado e obrigado a lutar pela sua sobrevivência num Quartel General. Mas ocultou sempre, o seu apoio e a sua ligação ao terrorismo, mostrando-se sempre, como alguém vítima de injustiças por parte de Israel, hoje luta pela vida, na impossibilidade e pela falta de condições e meios de sobrevivência em sua casa, foi transferido para o Hospital Militar Francês de Percy, foi nestas condições autorizado por Israel, que tenta assim evitar as responsabilidades em caso de morte do líder por falta de cuidados médicos, no seu Quartel General, a sair para receber cuidados médicos no estrangeiro, sendo o seu destino a França. Enquanto pelo mundo se organizam e discutem jornadas, “pela luta ao terrorismo”, a França volta a virar as costas ao mundo Ocidental, ignorando o passado terrorista, recebe o líder doente e bastante debilitado de braços abertos, talvez pelo medo de represálias da tão grande comunidade muçulmana, presente em França, em caso de recusa de cuidados médicos a Arafat, ou em alternativa viu nesta acção uma oportunidade de se aproximar e negociar a paz e a estabilidade, com o mundo e a comunidade Árabe.
O impasse mantém-se, o anúncio da morte tarda, mantendo-se congelado e desconhecido o estado de saúde de Arafat, em Ramallah estranha-se o clima de normalidade e serenidade, talvez por a comunidade já se ter habituado à ideia da morte do seu líder, ou por viverem em época de prosperidade, paz, que é a época do Ramadão, mas na impossibilidade de evitar por mais tempo a morte de Arafat, como se refere imprensa, o funeral está longe de ser uma manifestação pacífica, o seu desejo era o de ser sepultado na mesquita de AlAqsa, no pátio das mesquitas, o terceiro lugar sagrado do Islão, a seguir a Meca e Medina, mas este é um desejo potencialmente explosivo, estamos a falar não mais de território Israelita, pois Jerusalém é considerada uma cidade santa quer para os Muçulmanos, quer para o Judeus. Arafat é o símbolo da luta pela criação de um estado palestiniano, com a capital em Jerusalém Oriental. A sua sepultura ali seria, do ponto de vista Israelita, admitir que os Palestinianos têm direitos sobre a cidade, Ariel Sharon já avisou: “Enquanto estiver no poder, não faço tenções de o deixar, ele não será enterrado em Jerusalém”. Sobrepõem-se alternativas; fala-se em Gaza como uma outra possibilidade, mas discute-se o problema da insegurança com a presença de dignatários estrangeiros no funeral, a segurança dos mesmos será difícil de assegurar. Após mais um problema que vem agravar, ainda mais as relações destas comunidades, o futuro é uma constante incerteza, será que a comunidade Palestiniana e o novo líder vão apontar o dedo a Israel pela morte de Arafat, fazendo disso motivo de retaliação, volvendo novamente ao clima ataques interpolados, fugindo assim à resolução pacífica do conflito? Ou chegamos finalmente ao início do diálogo, e finalmente à Paz?
Permanecemos então no desconhecimento, à espera que o tempo tudo nos diga!
[David Ponte]

sábado, novembro 6

Com os olhos no céu!

Do céu chegam-nos hoje notícias enviadas pelas sonda Europeia Mars Express, que reposibilitam a possíbilidade de terem existido glaciares em Marte. As imagens mostram um autêntico festival de fenómenos geológicos, da região de Tithonium Chasmas, em Valles Marineris. É mais um resultado da Odisseia promovida pelo homen no espaço, onde procura respostas à questão da sua existência e ao jeito de Hollywood a possibilidade de promover o turismo espacial.


[David Ponte]

Reflexos

Hoje milhões de pessoas pelo mundo rezam a "quase", morte certa de um líder, um líder preste a sofrer a mais difícil derrota que alguma vez temos todos que sofrer, um dia estaremos nós, nessa batalha, será a nossa vês, ou vencêmos ou passamos para a outra etapa da vida, à qual vivemos agnósticos. Mas no fim, todos devemos merecer "o respeito", um lugar para repousar, é um direito, e um dever que encarregamos a quem fica para nos chorar.
[David Ponte]

Traços


By Júlio Pomar

sexta-feira, novembro 5

Palavras ao Vento

"...A guerra de 1914 tem para a história do século XX o mesmo carácter matricial que a Revolução Francesa para o século XIX. Dela saíram directamente os acontecimentos e os movimentos que estão na origem das três «tiranias» de que fala Élie Halévy em 1936. A cronologia di-lo à sua maneira, já que Lenine toma o poder em 1917, Mussoline em 1922 e Hitler falha em 1923 para vencer dez anos depois...."

in "Fascismo e Comunismo" trajectos de François Furet e Ernest Nolte

Reflexão à vida!

Hoje somos o mundo,
respiramos o mundo,
absorvê-mos luz,
ela, que compõem,
e nos conduz.

Amanhã corpos fálicos,
matéria em decomposição,
findou a luz,
não somos nada,
pertencemos ao nada,
e homenageia-se o nada.

[David Ponte]

quinta-feira, novembro 4

Auto-retrato

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos, por taça escura,
De zelos infernais letal veneno;

Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades,

Eis Bocage em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades,
Num dia em que se achou mais pachorrento.
[Bocage]

O Esperançoso


Pedro V.
30.º Rei de Portugal
Nasceu a 16 de Setembro de 1837
Faleceu a 11 de Novembro de 1861

terça-feira, novembro 2

Não é critíca! É desabafo!

Não faz parte de mim falar de temas que enfim, são apenas meramente destrutívos, mas hoje tenho de expulsar, o que dentro de mim, vai.
Como vem sendo hábito na minha rotina, após o fim de semana, este prolongado, dirijo-me à capital para mais uma semana de aulas, viajo de comboio! Como um normal estudante, hoje o comboio decidiu previligiar-nos com uma viajem diferente, fez algo quase imaginável, percorreu uma distância de 12km em 1h:20m, percebi por circular na última carruagem que constantemente éra-mos solovancados por um comboio que circulava atrás de nós e várias vezes colidiu conosco, até nos colocar numa via de segurança. Quando escrevi o rascunho deste post, encontrava-me num ambiente estontiante e já bastante escaldante, muitos passageiros estavam a perder a cabeça, pois a única explicação dada pelo maquinista, foi dada em baixo som, da qual ninguém tirou conclusões.
E foi durante prolongada espera, já fora de tão fenético clima como aquele que se encontrava dentro das carruagens que, em conversa com outros passageiros descobri que se tratava de uma avaria na locomotiva, e aguardava-mos pela sua substituíção, que para meu agrado e de forma surpreêndente apenas demorou 40 minutos.
Não quero de alguma forma ser destrutívo, porque uma avaria, só não acontece ao transporte que se encontra permanentemente imóvel, apenas critíco à lenta forma como são resolvidas as situações, à chegada a Lisboa já contava com quase 3horas de atraso, os preços dos transportes são já por eles abusivos, e constantemente sofremos má prestação do serviço, não só, é falta de meios capazes, como falta de pessoal competente, é o reflexo da insignificância governativa, a necessidade de subtítuir alguém que anda distante, e mergulha o país numa constante fragilidade, sem tomar princípios, força e capaciade de liderança.
Parece uma critíca, mas perdoem-me era só um desabafo.
[David Ponte]

segunda-feira, novembro 1

1º de Novembro

Um traço, um berço
Dois destinos que se cruzam na lonjura da distância
Erva fálica pelo caminho
Distúrbios, subúrbios
Automóveis ferrugentos desenhando o horizonte
Os paralelos asfixiam a alma
Solidão, saudade
Romagens, romaria aos queridos defuntos
Carcaças abandonadas ao passado
Lágrimas, fábricas
Tempo invernoso sublinhando a ausência
A música ouve-se triste
Solidão!
Saudade!
Romagens!
Romarias!
Solidão!
Saudade!
Queridos!
Defuntos!

[Adolfo Luxúria Canibal / Miguel Pedro (Mão Morta)]