O ar complementa-se com o cheiro do teu perfume, uma leve brisa transporta uma colagem de notas musicais sem nexo. Contínuo a caminhar timidamente, ao fundo do corredor, um intenso brilho escapa-se, por entre as brechas de uma porta entreaberta, é o romper da escuridão. Aproximo-me. Empurro a porta, e prontamente sou sugado para o interior de uma sala carregada de almas perdidas. A escuridão invade os meus olhos, o meu corpo paralisa, sinto-me uma carcaça abandonada ao seu destino, o deletério aproxima-se, sinto o seu calor a aquecer as minhas gélidas costas, cai sobre mim e... Sopra violentamente sobre os meus ouvidos, à muito que não tenho os meus sentidos, mas agora, sinto que sou uma indefesa criatura a voar loucamente sobre o tempo, a uma velocidade imaginável, sei disso porque é quase impossível respirar. Quando já sorria à morte. Acordo sobre um chão húmido, pelo orvalho nocturno, é um lugar estranho, à minha frente está um portão enferrujado pelo tempo, Entro, sinto a morte a voar sobre mim, o local é estranho, apenas sinto o cheiro intenso a crisantes. Desfilo sobre um longo passeio de pedra branca, um arrepio começa a sufocar a minha alma quando vejo a transição, de uma película de fotografias estampadas sobre uma pedra que reflecte intensamente o brilho da lua. O cheiro muda, agora é o teu perfume que começa a circular dentro do meu sangue, gelado. Intensifica-se o perfume, sei que me aproximo de ti. Devoro velozmente o passeio desgasto pelo tempo... Paraliso... agora, sinto que estás atrás de mim, viro-me para te ver...
E tu sorris.
E tu sorris.
[David Ponte]

1 Comments:
É bonito de ler essa tua mutação de dois estados de alma diferentes: o pesadelo e a paixão.
Gosto do fim...
9:04 da tarde
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