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sábado, janeiro 22

O Poder e a Igreja

Em 324 Constantino, muda a capital do seu Império para Oriente, de Roma passou para Bizâncioº, nasceu assim Constantinopla, junto dos grandes centros culturais e económicos da época; Atenas, Tessalónica e Antioquiaºº.
Entre senadores e outros notáveis foram também convidados a povoar a nova capitalººº, dezenas de milhares de habitantes. Para trás Constantino deixou, uma pessoa muito importante, o Bispo de Roma, neste contexto dá-se uma separação histórica entre a Igreja e o Estado, trata-se de um acontecimento com consequências decisivas e benéficas para a humanidade. A partir deste momento e com maior autonomia e com o defracçionamento do Império a Oriente, a igreja floresce, afirma uma independência que lhe possibilita reclamar o manto da liderança espiritual dos povos cristãos, sendo a primeira grande instituição independente da história a desafiar o poder temporal.
Bastaram cinquenta anos após a separação da igreja e do estado, para se dar o primeiro conflito, Teodósio um dos sucessores de Constantino, numa disputa com os Tessalónicosºººº, convida-os a Milão, fora o pretexto para um banquete de sangue, homens, mulheres e crianças foram passados a fio de espada, sensibilizado com o acontecimento Ambrósio, Bispo de Milão, recusa publicamente, dar a comunhão ao Imperador Teodósio que reclamaººººº, este acontecimento sem precedentes, leva a que o homem mais poderoso do mundo de então, acabe vestido de mendigo durante oito meses à porta da catedral de Milão, só assim teve o perdão do Bispo. Este foi apenas o primeiro acontecimento da história, a partir daquele momento a igreja atinge um patamar incomparável de poder. Em 1077, Henrique IV decide desafiar o Papa Gregório VII, formou e marchou com o seu exército, a igreja defende-se como as suas tropas, D. Henrique IV perde a batalha, reza a história que deslocou-se a Canossa, e descalço sobre a neve pediu perdão.
A igreja desenvolveu um império considerável, desde a época medieval, parte dos excedentes produzidos pelo camponês tem como destino, mosteiros, com eles pôde gerir e construir riquezas, também procurou defender os mais carenciados, criando albergarias; (instituições de apoio aos mendigos e aos enfermes), O sucesso da igreja perante o estado provém do desequilíbrio de riqueza existente entre ambos, a igreja gere todos os excedentes, a prioridade de investimento é pouca ou quase nula, por isso tudo é riqueza, parte das suas infra estruturas são erguidas com a riqueza proveniente do estado, é necessário o equilíbrio entre ambos, e o estado precisa da igreja, é ela que doutrina o povo espalhando por ele a retórica, para assim evitar que ele não interfira na progressão e no desenvolvimento não contestando o rei. O estado tem prioridades reconstruir um país e defendê-lo, alimentar e equipar um exército é muito dispendioso, a riqueza é nula, porque a existente é investida. Napoleão dizia apenas recear um homem; o Papa.
O mundo gira estonteantemente, tal como as evoluções nos surgem de minuto para minuto, a igreja mantém-se demasiado conservadora para os tempos modernos, é impensável desenvolver um rejuvenescimento da instituição, devido a isso enfrenta uma grave crise de sucessão, a debilidade e a fraqueza, causada pela doença, pesam sobre João Paulo II, o Pontifex Maximus, ele, o salvador, o redentor do mundo, não apresenta condições de tomar qualquer tipo de decisões ou mesmo desenvolver uma nova dinâmica, formulando uma igreja para o novo século, todavia apenas existe uma solução “a morte”, o afastamento é imperceptível.
notas:
º Bizâncio, Uma velha colónia grega.
ºº Antioquia, Roma era considerada, então, um lugarejo atrasado.
ººº Capital, A prioridade após a fundação ou conquista de um espaço é o seu povoamento para que de imediato a economia seja estimulada.
ºººº Tessalónicos, Tribo Grega
ººººº Reclama, Teodósio apontando antecedentes Bíblicos para se defender, o caso de David.
[David Ponte]