Um Blog de David Ponte. Contacto: dav_russ@clix.pt.

segunda-feira, fevereiro 21

Hoje sentimos o discurso da mudança, a brisa da responsabilidade a aproximar, esperamos que a brisa não se torne em ciclone e comece a perturbar.

[David Ponte]

Resultados:
PS - 45% - 120 deputados
PPD/PSD - 28% - 72 deputados
PCP-PEV - 7% - 14 deputados
CDS-PP - 7% - 12 deputados
B.E. - 6% - 8 deputados

PCTP/MRPP - 0,84%
PND - 0,7%
PH - 0,3%

PNR - 0,16%
POUS - 0,1%
PDA - 0,03 %

Inscritos - 8783184
Abstenção - 35%
Brancos - 1,81%
Nulos - 1,12%

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Os responsáveis do desastre laranja;

"não é uma situação catastrófica" Pedro Santana Lopes, o grande derrotado da noite faria um grande favor ao seu partido se, se, demiti-se, mas acha que após estes resultados tem segurança e estabilidade para contínuar à frente do seu partido.

domingo, fevereiro 20

Houve uma preocupação comum, com a relativa instabilidade causada por o actual Primeiro Ministro, o direito cívico de votar foi cumprido e combateu a abstenção e Santana Lopes.

[David Ponte]

Eram mal amados, abandonaram o país em queda livre para o inferno. Hoje o povo renovou o voto de confiança, esquecendo a profunda crise em que mergulha-mos durante os seus tempos de governo, eles saem à rua e festejam vigorosamente, o regresso ao poder.
[David Ponte]

O castigo a Santana Lopes é duro e pesado, a confirmarem-se estas sondagens o Partido Social-democrata tem amanhã, “um enorme problema a resolver.”

[David Ponte]



[Edouard Vuillard 1868-1940]. Morning in the Garden at Vaucresson, 1923; reworked 1937. Distemper on canvas. The Metropolitan Museum of Art, New York, Catharine Lorillard Wolfe Collection, Wolfe Fund, 1952.

sexta-feira, fevereiro 18

Campanha

Termina hoje a campanha eleitoral, amanhã é dia de assentar ideias, repousar e ver o que correu mal. No dia seguinte uns ganham, outros perdem e todos tem de assumir responsabilidades.
Não foi só o país que entrou num período de instabilidade após a substituição de Durão Barroso por Santana Lopes, o Partido Social Democrata, entrou também ele numa fase menos positiva, a ala dura desde logo contestou a atitude tomada por Durão Barroso, formando assim um cerco apertado a Santana Lopes, mesmo assim de nada Santana tem a queixar-se, toda a responsabilidade na dissolução da Assembleia da Republica, só se deve a ele e a toda ambiguidade com que enfrentou os problemas. O Partido tomou atitudes para resolver as revoltas internas, iniciou o Verão a desfazer-se do peso das vozes descontentes, enviou o “enfant terrible” para o Parlamento Europeu e negociou um pacto de paz com críticos menos coerentes, facilitando assim o alargamento do cerco, que apenas se mantém pela voz dos históricos do partido.
O Partido Socialista também iniciou o Verão a limpar a casa, de forma mais pacífica é certo. O seu antigo líder, decidiu voluntariamente demitir-se, ele que mantinha uma grande amizade com um antigo ministro, que tem entre si uma acusação de prática de hábitos terríveis, condenados por um ser humano normal.
Com isto, para estas eleições partiram dois subsistemas pasteurizados, que tem em comum, dois líderes dotados de uma incompetência total e partilham o mesmo neurónio.
O que eles fizeram:
José Sócrates; «Queremos uma maioria absoluta, para governar melhor», parece ser a única coisa coerente que sabe dizer.
Pedro Santana Lopes; Praticou uma campanha ao seu nível, suja. O seu trunfo foi apenas um, ferir Sócrates com; “causas pessoais”.
Paulo Portas; A obsessão dos 10%, foi ponto de campanha, mesmo assim parece ser o único capaz de demonstrar competência e lucidez de ideias.
Jerónimo de Sousa; Independentemente de tudo é um guerreiro. Quanto a diálogo, foi bom ter perdido a voz durante o debate, ele persiste numa colagem de ideias sem nexo e já ultrapassadas.
Francisco Louçã; Feroz, arrogante, desafiador, possui o perfil do Ditador.

O positivo de todas as campanhas e esta não foi excepção disso, é o facto das pequenas cidades e vilas do interior, se tornarem por momentos, potenciais polos industriais, dotados de uma tecnologia e uma mão de obra sobrenatural, é o político a seduzir o povo, ele vê, ouve e acredita, o político sorri.
Desta campanha apenas uma coisa é certa, domingo vamos votar em carne de terceira.
[David Ponte]

quarta-feira, fevereiro 16

Descubra as diferenças I

Caso 1:
Informação recebida ontem por correspondência, assinada pelo candidato do PSD, Dr. Pedro Santana Lopes.

“Caro(a) Amigo(a),

Não pare de ler esta carta.
Se o fizer, fará o mesmo que o Presidente da República fez a Portugal, ao interromper um conjunto de medidas que beneficiavam os portugueses e as portuguesas.
Portugal precisa do seu voto para fazer justiça.
Só com o seu voto será possível prosseguir as políticas que favorecem os que menos ganham e que exigem mais dos que mais têm e mais recebem.
Você não costuma votar, e não é por acaso.
Afastou-se pelas mesmas razões que eles nos querem afastar.
E quem são eles?
Alguns poderosos a quem interessa que tudo fique na mesma.
Incluindo a velha maneira de fazer política.
Eles acham que eu sou de fora do sistema que eles querem manter. Já pensou bem nisso?
Provavelmente nós temos algo em comum: não nos damos bem com este sistema.
Tenho defeitos como todos os seres humanos, mas conhece algum político em Portugal que eles tratem tão mal como a mim?
Também o tratam mal a si. Já somos vários.
Ajude-me a fazer-lhes frente.
Desta vez, venha votar. É um favor que lhe peço!

Por todos nós,

Pedro Santana Lopes”


O rosto do desespero.


Caso 2:
O sofrimento e a dor no rosto de uma alma abandonada, que mendigava ontem junto da saída do Metro no Saldanha. Que mostrava num velho papel as seguintes palavras:

“Sou doente do coração e tanho uma reforma de 36 cts que dá para comprar remédios não tanho que comer Ajudeme”


O rosto da dor.

[David Ponte]

O cidadão Santana Lopes, queria “parecer bem” à igreja e aos seus crentes. Mas, voltou a levar um par de bofetadas. O menino é mau comportado.

«Não fiquei contente nem convencido da sinceridade no tocante à suspensão de actividades políticas.»
D. Manuel Martins, Bispo Resignário de Setúbal in público

[David Ponte]

Descubra as diferenças II

Caso 1:
Ontem: Quatro figuras, alegres e dispostas em campanha, junto à entrada da cantina I da Universidade de Lisboa, identificadas pela Juventude Comunista Portuguesa. Por um sou abordado, da seguinte forma:
“Sabias que os países que tem a melhor educação do mundo, são aqueles onde lidera o comunismo?”

Senti-me confuso, se o conceito de educação que ele me falava, era o mesmo que todos nós conhecemos.

Caso 2:
Ontem: em debate aberto com uma militante da Juventude Social-democrata, relativamente à interrupção da campanha eleitoral por parte do PSD e do PP. Fui confrontado com a seguinte afirmação:
“Eu acho muito bem estes dias de luto nacional, e acho muito bem que eles não andem para aí com as bandeiras a gritar. Porque é a morte de uma figura pública que deu enorme produtividade ao país.”
Auxiliei-me do dicionário para me certificar se o meu conceito de “produtividade” estaria correcto.
[David Ponte]

segunda-feira, fevereiro 7

Viajo bem distante. Dentro de mim transporto um sentimento esquisito, demasiado simbólico, nunca antes o senti assim, tão forte. Os teus olhos, as tuas mãos, tudo em ti sem excepção, transportam-me para uma longa viagem, é aqui sobre a relva do meu jardim, debaixo do frio de Inverno, que comando a minha viagem, pelo céu escuro, onde se destacam aqueles pontos brilhantes e onde jaz a pequena bola, que reflecte o brilho do sol, neste momento não é apenas um fascínio ocasional de observação, é por lá que ando, é o meu novo mundo, de lá, bem longe, consigo ver o meu corpo perdido sobre a relva a gelar, ignoro-o. Agora, apenas me interessa a minha viagem, serão largos dias, longas noites, em solidão. Mas, espero por ti.
[David Ponte]

sábado, fevereiro 5

O velho camponês despertou, numa bela manhã de primavera, ergueu-se custosamente da sua velha cama de ferro carregado pela idade, era a batalha desigual entre o trabalho da vida e uma vida de trabalho, caminhou até junto da fronteira que quebra a solidão, correu a cortina, e sorriu...

[David Ponte]

Sugestão, para ouvir:

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sexta-feira, fevereiro 4

A concha

A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fechada de marés, a sonhos e a lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.

Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.

E telhadosa de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta pelo vento, as salas frias.

A minha casa... Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.

[Vitorino Nemésio]
1901 - 1978



[Harriet Backer]
(1845-1932)

quinta-feira, fevereiro 3

Forçam-me, mesmo velhote,
de vez em quando, a beijar
a mão que brande o chicote
que tanto me faz penar.

_________________________

Porque o mundo me empurrou,
caí na lama, e então
tomei-lhe a cor, mas não sou
a lama que muitos são.

[António Aleixo]
(1899 - 1949)


"The victory of freedom in Iraq will strengthen a new ally in the war on terror, inspire democratic reformers from Damascus to Tehran, bring more hope and progress to a troubled region and thereby lift a terrible threat from the lives of our children and grandchildren,"read more...
[President Bush]

(Primeiro, interessava controlar uma energia natural, importante na economia americana. As armas de destruição massiça, foram o pretexto para anexar o regime de Saddam. Agora o gás natural tornou-se um núcleo explosivo para uma nova invasão, o pretexto é o mesmo de sempre as ditas armas de destruição massiça, que nunca niguem encontrou, nem nunca vão ser encontradas.)

[David Ponte]

quarta-feira, fevereiro 2

"Não há América sem democracia, não há democracia sem política, não há política sem partidos."

[Clinton Rossiter]



(La citerne de cuivre, Musée du Louvre Paris)

[Jean Baptiste Chardin]
1699 - 1779

terça-feira, fevereiro 1

Senhora, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

Tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tão tristes, os tristes,
tão fora de esperar bem
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

João Roiz de Castelo-Branco, Cancioneiro Geral