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quinta-feira, abril 7

Apercebo-me que, ao meu lado corre a morte. Por momentos penso em ignorá-la, mas depressa apercebo-me que ela não pensa da mesma forma que eu. Fortuitamente, ela salta para me engolir, eu consigo escapar-lhe com um golpe de agilidade e rapidez. Inicio uma fuga desenfreada, devoro o asfalto, ela saliva deliciadamente e tenta de novo agarrar-me. O cansaço começa a mastigar rapidamente o meu corpo, sinto-me frágil, à mercê do predador. Instantaneamente algo acontece, a morte desiste de mim. Sinto um enorme alívio, a alegria cobre-me o rosto. Quando já a distância entre mim e a morte é enorme, olho uma última vez para trás. Paro. Esqueço rapidamente o passado, olho em frente e enfrento o futuro. Venci a luta desigual, entre o homem e o destino. Sorrio... Ainda pertenço ao mundo dos vivos.
[David Ponte]

1 Comments:

Blogger hfm said...

Uma boa conversa interior sobre um assunto difícil mas sobre o qual nós, ocidentais, deveríamos reflectir mais e profundamente! - uma certeza.

11:27 da manhã

 

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