Um Blog de David Ponte. Contacto: dav_russ@clix.pt.

terça-feira, maio 31


"- És bonita. Eu sei que não gostas que eu diga isso."
"- Mas, és bonita, só isso faz-me sofrer"

François Truffaut - Sirène du Mississipi, La (1969)

segunda-feira, maio 30

Isto de ir morrer daqui a pouco
traz um certo sentido ao que vou sendo,
e dá ao que imagino a conscistência
de uma verdade que ninguém contesta.
(...)
António Franco Alexandre in Duende


Andrew Wyeth - Winter, 1946/1946


“Non”, é a vontade dos Franceses. E a sua, qual é?

domingo, maio 29

Futebolândia

Hoje pela manhã inicia-se mais uma ostentação de cooperação pelo défice que derroca o país, é mais uma prova que o povo está mobilizado, para relançar a nossa débil economia, o ponto alto da iniciativa tem lugar às 17h:00m no estádio do jamor (Sadinos vs Vermelhos), se não tem bilhete siga o cotejo em directo pela RTP1, se os vermelhos vencerem, pela noite dentro haverá rumarias pelo país, participe, numa rua perto de si.
[David Ponte]

Sócrates

quebra uma promessa eleitoral ao subir os impostos, para não voltar a colocar o pé no charco, acresce o preço dos combustíveis, para pagar as despesas com as SCUTs, argumentando que, estas, são importantes vias, para o desenvolvimento de regiões que tem um rendimento abaixo da média, agora, sabemos que, quando ligamos o motor do nosso carro estamos a contribuir com um donativo para as pessoas do Interior e as do Algarve, estas últimas, até são bem atenciosas, quando nos acolhem nos seus comércios instalados à beira mar.
[David Ponte]

quarta-feira, maio 25

la aguja del instanterore
correrá su cuadrante
todo cabrá en un instante

...

y será posible acaso
vivir, después de haber muerto.

Octavio Paz, in Todos Santos, Día de Muertos.

segunda-feira, maio 23

Mês a, “Pontapé”.

À analogia do mês em que decorreu o Euro 2004, este foi, mais um mês em grande para o povo Português, os jogadores deram vastíssimos Pontapés na bola, isto é, demasiado importante, em torno do espectáculo, os adeptos dão o pontapé no défice e nos problemas que afectam o país, mas, nestes momentos isso torna-se pouco relevante, pior será quando toda esta ilusão terminar, aí, retrocedem todos os problemas, muitas famílias despenderam demasiadas poupanças nos festejos, alguns faltaram mesmo aos empregos, devido a uma noite bem aspergida, a depressão, o défice, o desemprego, bem, é altura de dar um valente pontapé nos políticos, afinal os culpados do défice são; “Esses ladrões que só querem é tacho.”

quarta-feira, maio 18

O Silêncio

O silêncio, se isto não fosse o contrário do silêncio.
Extinção, porém a escrita. Equívoca luz.
Este poema nada sabe da minha biografia.
Daquilo que sabe, tenho medo.
[Pedro Mexia]

Cada dia és real como não eras,
e erras também, em outra fantasia;
o corpo que puseste não tem nada
da milagrosa carne em que te via.
Como gente banal é que te quero
no retrato inaugural da escola,
que as gerações futuras possam ter
por divertido talismã antigo.
Se te magoas, com saliva coloõ intervalo mental de que te queixas,
e sirvo vagos doces de canela
à lembrança que deixas nos sentidos;
ainda um dia terás o rosto humano,
que te possa beijar sem ser ferido.
[António Franco Alexandre]

terça-feira, maio 17

Resposta à crise, segundo o Bloco de Esquerda!

O futuro do, desenvolvimento económico.


Na área da Educação;
Na Faculdade de Letras da Universidade de Letras, um grupo de militantes do partido, fuma os seus "charros", calmamente, o bar é um óptimo cenário, para aqueles, monstros de cabelos sujos. Quando a monotonia se torna de morte, é hora de mobilizar e pela faculdade gritar ou colar cartazes revolucionários: "Revogação Já". Quem não adere ao boicote, será prontamente insultado. (atenção este é um caso verídico)

Desenvolvimento na área da cultura.


Na área da Segurança;
Um polícia patrulha as ruas de Lisboa, em caso de ocorrer algum problema, depende das suas pernas e das suas mãos.

[David Ponte]

quinta-feira, maio 12

Já te abandono, e reconheço ao mundo
que te inventei um dia por brinquedo.
De não te conhecer fiz o sentido
que em memória nenhuma se contém;
deixei que fossem falsas as palavras
e que feitas de chamas me adornassem,
tradicionais, as pernas do pavão.
Sinto-me bem agora, um pouco triste
de te saber contente a uma esquina
qualquer, do antigo mundo humano;
medo, talvez, te foi de bom conselho.
Grandes nomes que dei ao que senti,
soantes rimas em que amei, te deixo
para que ninguém saiba o que menti.

[Antoni Franco Alexande]

quarta-feira, maio 11

Poema mordaz de um cortesão arrependido

Ja nam reçebo pousada
de vosso apousentador
panela nem telhador
espeto, mesa quebrada,
cadeyra desengonçada
e lencoes de mes a mes
ó longo nem oo traves
me nam cobrem a bragada

Quantas vezes pelejey
comvosco sobola manta,
onde era a pulgua tanta
quanta sabeys que matey.
Quantas vezes jejuey
sem ter myta deuaçam,
Deos o sabe e vosso yrmãao
com quem já tambem pousey
(...)
Queixas de João Rodrigues de Castelo Branco
antes de abandonar a corte e se retirar para a Beira,

in Garcia de Resende, Cancioneiro Geral, Coimbra, 1973,I, p.342


The Arnolfini Marriage by - Eyck, Jan Van

terça-feira, maio 10

Para reflectir 2

A IV Convenção Nacional do Bloco, que decorreu este fim-de-semana, em Lisboa, marca o reforço de Francisco Louçã e da direcção que o acompanha à frente dos destinos do Bloco. Com 512 votos (em 571 votantes), a lista encabeçada por Louçã à Mesa Nacional recolheu assim, a esmagadora maioria dos assentos no órgão máximo entre convenções - 74 lugares, contra os seis eleitos pela Lista B, que consegui apenas 45 votos.
No final o “recém-eleito e desconhecido", Coordenador da Comissão Política; Francisco Louçã, enalteceu: "Não temos tronos, não temos aristocracias, somos todos plebeus."
[David Ponte]

Para reflectir 1

Valentim Loureiro anunciou que será candidato à autarquia de Gondomar e Isabel Damasceno recandidata-se à Câmara de Leiria, apesar da oposição interna.


Whistler's Mother, 1872
[Whistler, James Abbott McNeill, 1834 - 1903]

quinta-feira, maio 5

As nuvens passam como vedoras

As nuvens passam como
vedoras, inclinam já
sobre meu coração hídrico, fico
vigilante, domando a minha
cabeça apétala e ecoadora

se for um espasmo no amor
de deus, silenciar-me-ei em
ansiedade boca fremindo
à tona dos odores.

[Valter Hugo Mãe]

quarta-feira, maio 4

"Deus inventou o sexo, nós inventámos o amor. Ele tinha razão."
[Vergílio Ferreira]

terça-feira, maio 3

O poder presidencial no coração popular.

O Presidente da República, decidiu não convocar o referendo sobre o aborto, ao mesmo tempo desfila num camião estrada fora, muito preocupado com a sinistralidade nas estradas nacionais.
Olhando para estes gestos que se conclui? É a grande acção de final de mandato do Presidente, para evitar a extinção da nossa “raça”, privilegiando um aumento demográfico e um desenvolvimento económico a curto prazo. Ao Manter uma elevada taxa de nascimentos e ao evitar a morte da população activa nas estradas, deduz-se facilmente que há garantias de subsistência.
O Presidente temático, esquece que grande parte dos acidentes nas estradas, não provém só da falta de civismo, mas, de grandes falhas na sinalização e na conservação das redes terrestres nacionais, e que, grande parte da criminalidade, se desenvolve dentro de crianças provenientes dos meios mais pobres, nestes meios os nascimentos são muitas vezes indesejados, mas como, a prática de aborto é impensável no estrangeiro por razões económicas, e em território nacional ele é, à margem da lei e ao risco da vida, opta-se então, pelo nascimento de mais alguém que não terá a escola cultural da vida.
Na realidade este é um Presidente de grandes gestos e nenhumas acções, sacode as responsabilidades e ergue-se de abraços, e apertos de mão.
[David Ponte]