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quarta-feira, maio 11

Poema mordaz de um cortesão arrependido

Ja nam reçebo pousada
de vosso apousentador
panela nem telhador
espeto, mesa quebrada,
cadeyra desengonçada
e lencoes de mes a mes
ó longo nem oo traves
me nam cobrem a bragada

Quantas vezes pelejey
comvosco sobola manta,
onde era a pulgua tanta
quanta sabeys que matey.
Quantas vezes jejuey
sem ter myta deuaçam,
Deos o sabe e vosso yrmãao
com quem já tambem pousey
(...)
Queixas de João Rodrigues de Castelo Branco
antes de abandonar a corte e se retirar para a Beira,

in Garcia de Resende, Cancioneiro Geral, Coimbra, 1973,I, p.342