Um Blog de David Ponte. Contacto: dav_russ@clix.pt.

quarta-feira, junho 29

Urgentemente

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

[Eugénio de Andrade]

sexta-feira, junho 24

Ostentação da realidade


Salma Hayek

terça-feira, junho 21

Asfixia

Sentados sobre o chão húmido do jardim, dois adolescentes cruzam olhares, a paixão é já, um sentimento que os afoga desde o primeiro olhar. O rapaz, oculta-se sobeje a timidez, a rapariga espera o ímpeto que demora. Agora, o rapaz lembra o momento com angústia, o contíguo tornou-se longínquo e a pusilanimidade tarda em desaparecer.
[David Ponte]

Insídia

Dois amigos sentados sobre o calor da noite, rememoram a insipiência de um período traído do passado.

[David Ponte]

sexta-feira, junho 17

Quem segue a comunicação social continuamente, apercebe-se como este meio está cada vez mais mergulhado na banalidade da ignorância. Há rara excepção, os jornalistas demonstram, cada vez menos capacidade para discutir os assuntos inesperados da actualidade, e quando o fazem, aplicam estudos ou obras de pessoas, sem sequer nomear a fonte ou o autor. Pacheco Pereira, sentiu isso.
[David Ponte]

quinta-feira, junho 16

Ride these streets

Há um ano atrás, o Raiz do Tempo não existia, há um ano atrás, eu ainda eu não pensava entrar no mundo da blogosfera, mas há um ano atrás, o Lusitano iniciava a sua caminhada.
Parabéns Lusitano.

[David Ponte]

quarta-feira, junho 15

Recordar.

Estou contente, não devo nada à vida,
e a vida deve-me apenas
dez réis de mel coado.
Estamos quites, assim

O corpo já pode descansar: dia
após dia lavrou, semeou,
também colheu, e até
alguma coisa dissipou, o pobre,

pobríssimo animal,
agora de testículos aposentados.
Um dia destes vou-me estender
debaixo da figueira, aquela

que vi exasperada e só, há muitos anos:
pertenço à mesma raça.

Eugénio de Andrade, in Branco no Branco, 1984

O camarada, Sampaio!

Jorge Sampaio dobrou as evidências. Desde sempre, o, (Nosso Presidente) demonstrou ser pouco substancioso. Ontem ao apelar Álvaro Cunhal de "Grande Comandante", Sampaio atestou que, ou muito pouco sabe de política, ou desconhece o que é a democracia.
[David Ponte]

segunda-feira, junho 13

Álvaro Barreirinhas Cunhal (1913 - 2005)

Vasco Gonçalves e Álvaro Cunhal, os seu desaparecimentos terminam um ciclo. O período daqueles que, sempre se glorificaram pela conquista da liberdade, mas o seu contributo para a liberdade foi casual, porque a liberdade e a democracia apenas triunfou, quando eles falharam aquilo que sempre sonharam.
[David Ponte]

Eugénio de Andrade (1923-2005)



Surdo, Subterrâneo Rio

Surdo, subterrâneo rio de palavras
me corre lento pelo corpo todo;
amor sem margens onde a lua rompe
e nimba de luar o próprio lodo.


Correr do tempo ou só rumor do frio
onde o amor se perde e a razão de amar
surdo, subterrâneo, impiedoso rio,
para onde vais, sem eu poder ficar?

[Eugénio de Andrade]

domingo, junho 12

Vinte anos após, a assinatura dos tratados de adesão de Portugal e Espanha às Comunidades Europeias, o blocos informativos televisivos e a imprensa nacional, vulgarizam em primeira-mão, a morte de Vasco Gonçalves, aquele que um dia disse: "Não imagino a minha vida sem o 25 de Abril", mas, o que sempre quis dizer, foi: Lutei, contra uma ditadura de Direita para desenvolver uma de Esquerda, porque, me é mais conveniente. Pena é, que em dias marcantes como o de hoje, se esqueçam personalidades como Ernâni Lopes ou Mário Soares.
[David Ponte]

quinta-feira, junho 9

A raiz do tempo, vai encontrar-se num período temporariamente deserto. Apenas no dia 24 de Junho poderei regressar à normalidade da escrita. Enquanto isso, podem participar numa iniciativa inovadora neste espaço, que passo a fundar desde já, para tentar colmatar estes períodos menos férteis. Podem enviar-me, qualquer coisa; (um poema, uma fotografia, um texto, etc.), para o meu e-mail (colocado no topo da página), que eu publicarei, com todo agrado. As minhas desculpas.

[David Ponte]

quinta-feira, junho 2

Ó meus castelos de vento
que em tal cuita me pusestes,
como me vos desfizestes!

Armei castelos erguidos,
esteve a fortuna queda,
e disse:– Gostos perdidos,
como is a dar tão grã queda!
Mas, oh! fraco entendimento!
em que parte vos pusestes
que então me não socorrestes?

Caístes-me tão asinha
caíram as esperanças;
isto não foram mudanças,
mas foram a morte minha.
Castelos sem fundamento,
quanto que me prometestes.
quanto que me falecestes!

[Francisco de Sá de Miranda]