Eugénio de Andrade (1923-2005)

Surdo, Subterrâneo Rio
Surdo, subterrâneo rio de palavras
me corre lento pelo corpo todo;
amor sem margens onde a lua rompe
e nimba de luar o próprio lodo.
Correr do tempo ou só rumor do frio
onde o amor se perde e a razão de amar
surdo, subterrâneo, impiedoso rio,
para onde vais, sem eu poder ficar?
[Eugénio de Andrade]

1 Comments:
"surdo, subterrâneo, impiedoso rio,
para onde vais, sem eu poder ficar?"
Bela escolha.
9:43 da manhã
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