A Igreja suspira a morte do Papa João Paulo II, que já provocava uma certa desarticulação no núcleo eclesiástico. Foi um Papado demasiado longo, carregado de sacrifício público durante os últimos anos. Este martírio final, não há-de fazer-nos esquecer que o papado durou vinte e cinco anos, e não, apenas seis ou sete anos, como parte das pessoas tendem a querer ver. João Paulo II foi mártir do luxo, aquele luxo que a igreja proíbe aos seus seguidores; os talheres de ouro, a biblioteca privada com mais de nove mil exemplares, o cinema, avião e o helicóptero, tudo isto privado, são algumas entre muitas outras regalias impensáveis ao ser comum, e ele teve-as.
Um e outro político, falaram, continuam e continuarão a falar dos feitos heróicos do Papa, entre eles; a barreira intransponível que foi na oposição às guerras mais recentes. Como pode um Papa hoje, apoiar uma guerra? Será de mais pensar nisso!
João Paulo II, pediu desculpas pelos erros da igreja, cometidos no passado. Uma certeza me envolve a alma, apenas, um quarto da população cristã espalhada pelo mundo, sabe quais foram na verdade os erros a que João Paulo II se referia. Hoje, amanhã e durante largos anos continuarão a morrer crentes no mundo, que a sua passagem pela vida, circulou à volta do culto ao clero, aquilo que eles acham de "Bem", nem hoje, nem nunca a igreja teve boas intenções, vasta do regredir no tempo.
Período sangrento da História, apelado ou apoiado pela Igreja;
As Cruzadas representam uma grande movimentação de população da Europa para o Oriente, que provocou uma grave agressão do Ocidente ao Oriente (Palestina), a primeira cruzada terminou com a formação do Reino de Jerusalém que acaba por ter uma vida efémera, as restantes cruzadas é a tentativa de auxilio aos cristãos da Palestina. É o terrível choque do Ocidente com o Oriente.
A 18 de Novembro de 1095, o Papa Urbano II reúne no Concílio de Clermont, principal motivo, o conteúdo de uma carta enviada por, Aleixo I Comneno, Imperador Bizantino, onde ele, apelava à vinda dos cristãos à Terra Santa, para defender a rotas peregrineiras que estavam a ser atacadas pelos Turcos, impossibilitando os peregrinos de chegar à Terra Santa. Hoje discute-se a possibilidade de Urbano II, ter apelado à Cruzada, para apaziguar os problemas internos da igreja e combater a constante instabilidade provocada pelos Turcos às portas de Constantinopla.
O apelo do Papa ultrapassou a expectativas, ele reuniu um enorme exército, que se dividiu em vários corpos armados, partiram a Abril de 1096, comandados espiritualmente pelo Papa. A conquista de Jerusalém foi conseguida depois de um enorme cerco, após o cerco assistiu-se a um massacre de homens, mulheres e crianças inocentes, o pretexto para a sua realização foi o facto de ser o local onde Cristo foi sacrificado e morreu pelos homens e mais tarde ressuscitou, neste lugar mágico, deveria realizar-se o sacrifício dos responsáveis pela morte. Estava iniciado um ciclo sangrento que durou cento e setenta e quatro anos. Segui-se a segunda Cruzada apelada pelo Papa Eugénio III, à qual responde O rei de França Luís VII e o Imperador Conrado III. 1188. Frederico Barba-Roxa, imperador alemão, Filipe Augusto, rei de França, e Ricardo Coração de Leão, rei de Inglaterra, organizam uma Cruzada a pedido do Papa Gregório VIII é a terceira Cruzada. O Papa Inocêncio III proclama a quarta e a quinta cruzada, a quarta é pregada por Foulques de Neuilly e dirigida por Bonifácio I de Montferrat e Balduíno IX de Flandres, a quinta é apelada durante o sermão de abertura do quarto Concílio de Latrão, será dirigida por João de Brienne, rei de Jerusalém e André II, rei da Hungria. O Papa Gregório IX apela à sexta cruzada em Dezembro de 1244. Em Dezembro 1244, Luís IX de França ou São Luís, decide partir em cruzada. Por fim em Março de 1270 e de novo Luís IX ou São Luís, que protagoniza a oitava e última cruzada. foi curta e terminou falhada a 15 ou 16 de Novembro, 1270 após a destruição da frota francesa por uma tempestade.
A Igreja protagonizou uma etapa demasiado sangrenta, um simples pedido de desculpas ou uma simbólica aproximação, são os resultados de um gesto de boa vontade de um homem, não de uma organização, de qualquer das formas é insuficiente. Todo o seu esforço valeu pelo simbolismo, porque não foram apenas estes os crimes da Igreja, a utilização da força braçal dos camponeses durante a idade média, para produzir excedentes e criar o enriquecimento dos mosteiros e das ordens religiosas vigorantes, a Inquisição um marco bem mais recentes na nossa História, entre muitas estas são algumas arrepiantes martirizasses, que a igreja liderou.
Para sempre recordarei, o velhinho que enfrentou a doença e dignamente terminou a sua vida, a realizar a sua profissão.
[David Ponte]