Um Blog de David Ponte. Contacto: dav_russ@clix.pt.

terça-feira, janeiro 24

Alberto Giacometti (1901 - 1966)


Annette in the Studio

sexta-feira, janeiro 20

Solidão 2

(...)
Naquela manhã de segunda-feira a cidade não registava o movimento habitual, tudo estava calmo, tão calmo, que parecia uma daquelas manhãs de Verão em que todas as pessoas já tinham partido para férias.
Hans acorda, para Hans este é também um dia diferente, hoje não sente só fome como é habitual, o seu estômago também lhe dói. Viaja apressadamente à cozinha, de onde traz dois biscoitos, senta-se junto do seu telefone, e come.
Mesmo depois de comer, Hans sente a dor, a dor contínua, mas agora Hans já não tem fome, tem apenas o seu estômago aborrecido consigo.
Naquele momento Hans sente uma vontade enorme de ir olhar pela janela, mas a tristeza que caiu em si impede-o naquele momento, o seu estômago está revoltado consigo, e dói-lhe muito. Para Hans este sentimento de alguma coisa estar descontente consigo não é novidade, a sua alma à muito desistira de viver, e naquela manhã de primavera, em que tudo parecia diferente, não foi só o estômago de Hans que se revoltou, o seu coração, também decide parar, no momento em que Hans sente vontade, a vontade de ir à janela, na esperança de, ver de novo o casal de namorados que ontem se beijara na rua, mas o seu coração não o deixou. O corpo de Hans repousa agora sem vida junto do seu telefone, o telefone que Hans esperava ouvir tocar antes de morrer.
[David Ponte]

quinta-feira, janeiro 19

Solidão 1

Hans olhava pela última vez da janela de sua casa, um primeiro andar de uma das ruas mais famosas de Paris. Naquele final de tarde de primavera, os olhos de Hans reflectiam, uma rua completa de alegria, as crianças brincam e ao fundo, um casal de namorados olha-se, sorria e beijava-se.
Hans carrega nos olhos tristeza, sai de junto da janela e desloca-se para junto do seu telefone, senta-se e espera que ele toque, Hans espera um som, um som que o tornará certamente mais feliz, mas um som que persiste em não acontecer.
A noite já caiu e Hans permanece ali estático a olhar o seu telefone, Hans sente sono, deita-se no chão, antes de fechar os olhos tenta ver de novo o casal de namorados a beijar-se. Fecha os olhos e delonga que o telefone perfure o silêncio da noite.
(...)
[David Ponte]

segunda-feira, janeiro 16

Peter Paul Rubens


St. Sebastian, c. 1618, by Rubens, Peter Paul (1577 - 1640)

sexta-feira, janeiro 13

Horizonte

Thomas Van, estava apenas a um palmo da fronteira que dividia a vida, a sua própria vida, e a morte. Thomas Van, um dos mais respeitados arquitectos da cidade, tinha à sua frente o potente anfiteatro que ajudara a crescer. Ele, era naquele momento o espectador privilegiado de tão pulcra imagem. Sobre o parapeito da janela da sua casa, no vigésimo segundo andar, estava a segundos de iniciar duas fantásticas viagens, mas, das quais não poderá contar o que realmente sentiu, mesmo assim, Thomas Van. Avançou.

[David Ponte]

quarta-feira, janeiro 11

O palhaço manobrava um revolver no centro do palco. Os espectadores sorriam.
-"Que forma mais estranha de humor!" Pensava Valter Hunter, que se deslocara naquela tarde ao circo com a sua filha.
O palhaço vira-se repentinamente, e corre para a cortina que o manda para junto da solidão dos bastidores, onde a sua face deixa de ser o sentido da alegria, e passa a sentir a tristeza. Pára inesperadamente e aponta o revolver à sua cabeça. À sua própria cabeça. Um... Dois... Três segundos passam, e dispara. À excepção de Valter Hunter todos os espectadores se atiram estupidamente ao chão. O homem cai, sem vida.
[David Ponte]

terça-feira, janeiro 10

Theodor Hunt aproveitara uma pequena distracção dos seus pais, para se aproximar daquele facto que todos os dias, ocupava o mesmo espaço, divergia nele apenas o tamanho e a intensidade. O pequeno Theodor Hunt à muito havia desenvolvido dentro de si uma vontade imensa de explorar aquele pequeno fenómeno, agora, Theodor encontrava-se de frente ao que apesar de desconhecido o atraía, estende o braço na tentativa de tocar, o calor causa-lhe dor, mesmo assim, aquele gesto era à muito uma obsessão, mas, agora descobrira que aquela luz incandescente lhe causa dor, dor essa que ignora. Theodor Hunt, toca e solta um enorme grito, e foge do facto que à pouco o atraía. E chora.
[David Ponte]

quarta-feira, janeiro 4

"De repente Klaus viu o que parecia ser uma claridade intrusa na sua noite individul; mas não. Era um som. Era o som de Alof a tocar. No meio da massa negra. Terá a música luz, perguntou-se Klaus"

Gonçalo M. Tavares, in "Um Homem: Klaus Klump"

O regresso

Algures do mundo onde a imperfeição persiste, depois de; alguma falta de coragem, muitos sorrisos, algumas lágrimas e um ou outro pensamento perverso, hoje por ser para mim um dia simbólico, decido voltar a compor este pequeno lugar. Longe de pensar em intelectualidade, apenas procuro revelar pequenos pensamentos, alguns, com uma ou outra originalidade, outros apenas meros devaneios.

[David Ponte]