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sexta-feira, janeiro 20

Solidão 2

(...)
Naquela manhã de segunda-feira a cidade não registava o movimento habitual, tudo estava calmo, tão calmo, que parecia uma daquelas manhãs de Verão em que todas as pessoas já tinham partido para férias.
Hans acorda, para Hans este é também um dia diferente, hoje não sente só fome como é habitual, o seu estômago também lhe dói. Viaja apressadamente à cozinha, de onde traz dois biscoitos, senta-se junto do seu telefone, e come.
Mesmo depois de comer, Hans sente a dor, a dor contínua, mas agora Hans já não tem fome, tem apenas o seu estômago aborrecido consigo.
Naquele momento Hans sente uma vontade enorme de ir olhar pela janela, mas a tristeza que caiu em si impede-o naquele momento, o seu estômago está revoltado consigo, e dói-lhe muito. Para Hans este sentimento de alguma coisa estar descontente consigo não é novidade, a sua alma à muito desistira de viver, e naquela manhã de primavera, em que tudo parecia diferente, não foi só o estômago de Hans que se revoltou, o seu coração, também decide parar, no momento em que Hans sente vontade, a vontade de ir à janela, na esperança de, ver de novo o casal de namorados que ontem se beijara na rua, mas o seu coração não o deixou. O corpo de Hans repousa agora sem vida junto do seu telefone, o telefone que Hans esperava ouvir tocar antes de morrer.
[David Ponte]

1 Comments:

Blogger Papua said...

Morrer à fome não é bonito, mas é sempre melhor morrer do que ver a gula que o mundo nos mostra todos os dias.
O teu blog agr tem mais ritmo. Fixe! :)

3:39 da manhã

 

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