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domingo, abril 23

Outro galo cantaria se em vez de olhares
para a câmara olhasses para mim.
Nunca olhas para mim. E assim parece
que tanto te dá estares comigo ou com outro.
Quando podias olhar para mim, quando
fazes uma pausa para respirar, também
não olhas, limitas-te a fechar os olhos.

E ao voltares depois de teres respirado
alguns segundos, abres então muito os olhos
para veres bem o que estás a fazer
É a minha vez de fechar os meus, nunca
nos olhamos cara a cara e raramente
retine nos meus ouvidos a verdade pura.

Crus e duros são os teus olhos, não esses
que vêem um pormenor do meu penteado,
o horário escolar, a lista das compras,
mas os outros, que até mudam de cor, entretidos
no que sabes fazer tão bem até ao fim.
Crus, porque não me dizem se é só uma técnica
de amor, duros porque parecem pedras.

Desvias-te dos meus olhos para não leres
coisas neles, há uma câmara ao canto
que nos vê a nós dois, tu olhas para a câmara
e não olhas para mim. Não te interessa que isto
nos meus olhos seja riso ou choro, não abres
os teus olhos contra os ossos da minha cara.

Helder Moura Pereira

2 Comments:

Blogger Papua said...

Gosto deste poema...

12:12 da manhã

 
Blogger Letras ao som das Palavras... said...

Simplesmente unico e lindo! Cntinua.. *

10:23 da manhã

 

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