Um Blog de David Ponte. Contacto: dav_russ@clix.pt.

terça-feira, maio 9

Numa tarde de Inverno os olhos dum homem fixavam o horizonte e observavam aquele ponto onde o sol se confunde com o mar. Apesar da chuva, do frio e da bravura do mar, transitava dentro do corpo do homem uma vontade enorme de nadar. Aquele pequeno homem queria desafiar o grande oceano. Sem conseguir segurar mais dentro de si aquela determinação de nadar, o homem correu para o mar e começou a nadar, uma ou duas horas passaram e o homem continuava apesar do enorme cansaço aquela maratona sem fim. Sem mais forças o homem parou, e sorriu, era como se aquele pequeno homem quisesse desafiar a brutal força do oceano que agora o dominava, e que sem dispor uma palavra ou mesmo um pequeno sorriso, engoliu aquele pequeno homem que eu desconheço o nome, apenas sei que tinha vontade de nadar.
[David Ponte]

segunda-feira, maio 8

Passavam dois minutos das nove horas da manhã. Dois minutos apenas. Um estrondo empurra violentamente um corpo já cadáver contra o solo. Sobre a cabeça de Ben Alof repousa uma arma. Uma arma. Que apesar de defunta a sua mão direita ainda segura.

[David Ponte]

O facto de Ben Alof possuir domínio sobre a sua mão direita, torna-o feliz. Com ela. Ben Alof mantém dois tipos de relação, um de prazer outro de genialidade. Ela é a causadora da sua alegria e o rosto da sua humilhação.

[David Ponte]

A mão direita de Ben Alof

Saciado o desejo sexual. Ben Alof olha a sua mão direita e repara que ela é o rosto da sua humilhação ao mesmo tempo que representa o seu único e maior prazer. O prazer sexual solitário.

[David Ponte]

quinta-feira, maio 4

O poeta criava insaciavelmente devaneios na betesga da aldeia, cada figura que entrava era expeditamente espiada e rapidamente moldada na sua cabeça. Na rua o calor cerceava. Na betesga. O poeta bebia cerveja compulsivamente.

[David Ponte]